sábado, 27 de outubro de 2012

OS FOCOLARINOS DEPOIS DE CHIARA LUBICH

OS FOCOLARINOS DEPOIS DA PARTIDA DE CHIARA LUBICH
Conheça Maria Voce, a Presidente do Movimento
dos Focolares, que substituiu Chiara Lubich, após
o falecimento desta 

24-09-2012
Fonte: http://www.zenit.org
NEM FEMINISTA NEM SINODISTA
Maria Voce mostra que "o desafio de Emaús" foi vencido/Antonio Gaspari


ROMA, segunda-feira, 24 de setembro de 2012 (ZENIT.org) – Ninguém imaginou que ela seria eleita. Nem ela própria. Fora do movimento dos Focolares, era desconhecida. Dentro do movimento, não fazia parte do grupo das fundadoras. Mas em 7 de julho de 2008, quatro meses depois da partida de Chiara Lubich para o céu, 496 delegados de todo o mundo elegeram Maria/Voce como a nova presidente mundial do movimento dos Focolares.
Mulher tão discreta quanto forte e determinada, Voce tinha setenta e um anos de idade ao ser eleita. Nasceu em Aiello Calabroe foi a primeira mulher advogada na região da Calábria. Está nos Focolares desde 1959, foi responsável pelo movimento na Turquia durante seis anos e ajudou Chiara Lubich a revisar os estatutos. Era conhecida entre os membros do movimento como Emaús.
No livro "O desafio de Emaús", escrito por Paolo Loriga e Michele Zanzucchi, apresentado neste último 22 de setembro em Loppiano, Maria Voce conta que nunca lhe passou pela mente ser eleita para continuar o carisma de Chiara Lubich. "Quando as preferências começaram a cair sobre o meu nome, eu senti o perigo de acabar eleita".
Com o movimento ainda sob os efeitos da perda da líder carismática, a otimista e corajosa Voce se retirou até a capela e disse a Deus: "Aqui estou. Estou pronta".
Logo que se começa a conversar com Maria Voce, percebe-se que ela é uma mulher forte na fé. No livro, ela conta que o pai, a fim de mantê-la em casa, não queria mandá-la estudar fora do povoado. Em Ajello Calabronão havia professores, mas Voce estudou por conta própria e passou nas provas do ginásio.
Voce também mostra grande liberdade na compreensão do carisma que Deus oferece, distinguindo-a das pessoas que o espalham. Ela conheceu os Focolares de uma forma simples, a convite de amigos universitários. Queria casar e ter filhos. Resistiu à ideia de entrar no movimento. Não se sentia particularmente atraída pelo carisma de Chiara Lubich.
Diz o livro: "Eu não fui atrás de Chiara, mesmo sabendo que sou sua herdeira como presidente do movimento. Eu fui atrás de Deus, de Jesus dentro do movimento. Foi isto que Chiara inspirou e provocou".
E mais: "Eu não sou presidente porque Chiara me nomeou, mas porque é a vontade de Deus. Ele deu a Chiara o dom da unidade para mim e para todos os outros, e eu sigo a Ele".
Maria Voce está certa de que a sua eleição marca uma nova fase do movimento, uma descontinuidade que exige a encarnação e a institucionalização do carisma./Segundo a presidente dos Focolares, é preciso "iniciar e dar mais substância ao que Chiara nos mostrou na sua visão profética (...) para realizar a obra em horizontes que ainda estão inexplorados e que nós vamos descobrir juntos"./No encontro de Loppiano, neste fim de semana, Voce foi entrevistada por Lucetta Scaraffia, deL’Osservatore Romano, e pelo vaticanista Marco Politi, do jornal Il Fatto.
Scaraffia pediu que Voce apoiasse as suas posições sobre a necessidade de uma presença maior e mais autorizada das mulheres na Igreja e na sociedade. Na Igreja, Scaraffia gostaria da presença de uma mulher cardeal em um conclave próximo./A presidente dos Focolares explicou que o "gênio feminino" tem autoridade, mas não necessariamente precisa ocupar cargos de poder formal.
A este respeito, falou da Virgem Maria e da sua presença na Igreja, "presença que é o máximo do amor; mas Maria também é Rainha, com um poder e autoridade na Igreja primitiva que fazia os outros se reunirem em torno dela. Ela não estava no comando, mas mantinha todos juntos, inclusive os apóstolos, inclusive Pedro".
Marco Politi pediu que Voce apoiasse a proposta do cardeal Martini de organizar uma espécie de concílio Vaticano III, que, a seu ver, poderia resolver muitos problemas da Igreja.
Maria Voce observou que, antes de pensarem um Vaticano III, "ainda temos muito a viver e realizar do extraordinário patrimônio do Vaticano II".
Para a presidente dos Focolares, "a questão não é reunir de novo todos os bispos em Roma (...). O que é necessário é mais trabalho nas conferências episcopais, com sínodos locais, para concretizar a real recepção do concílio Vaticano II".
Politi e Scaraffia tentaram mover a presidente dos Focolares para posições diferentes, mas ela, com graça e bondade, mostrou toda a sua liberdade e originalidade, a grandeza de uma mulher que não tem receios.
Maria Voce afirmou, em dado momento: "Nós não precisamos ter medo, porque é Deus quem faz a história".

Os Focolares depois de Chiara Lubich - perguntas e respostas hoje em Florença

O que fazem e o que pensam os focolares depois de Chiara Lubich? São progressistas ou conservadores? Trabalham para conquistar lugares de relevo na Igreja e na politica? São gente bondosa que sorri demasiado?

A partir das questões do livro entrevista: "A aposta de Emmaus" - Marco Politi, escritor e editorialista do joranl italiano "Il Fatto Quotidiano" e Lucetta Scaraffia, docente de Historia contemporânea na Universidade La Sapienza de Roma e editorialista do "L'Osservatore Romano", vão dialogar com Maria Voce, presidente dos Focolares, acerca da actualidade de um dos movimentos católicos mais difundidos no mundo e que na sua organização interna conta com a adesão de membros de outras igrejas, de outras religiões e até pessoas de convicções laicas.

Esta mulher, que se encontra a guiar este movimento após a fase de fundação, propõe analises inéditas sobre o papel dos leigos e das mulheres na igreja, pede corajosas aberturas no campo do dialogo entre as varias crenças mas também entre países, perspectiva horizontes inexplorados no campo politico, civil e económico, pois que aos desafios globais de justiça, paz, desigualdade económica, integralismo, são chamados a responder crentes e não crentes, católicos e islâmicos, empresários e operários e simples cidadãos.

A mudança das democracias ocidentais, a Europa, a fobia do cristianismo e o fundamentalismo, os encontros para os divorciados e a pertença ao movimento dos bispos e cardeais: são apenas alguns dos argumentos tratados no livro e a que Maria Voce ira responder neste sabado 22 de Setembro pelas 18 horas, no ambito do Loppianolab, o laboratório para a Itália promovido pelo grupo editorial Citta Nuova, pelo Polo Industrial Lionello Bonfanti, pelo Instituto Universitario Sophia e pela cidadela de Loppiano (em Florença) que nas precedentes edições registou cerca de sete mil presenças.

Maria Voce foi eleita presidente do Movimento dos Focolares em 2008, sucedendo à fundadora Chiara Lubich, de quem foi por mais de 20 anos uma das colaboradoras mais próximas. Natural da Calabria, primeira mulher a trabalhar como advogada na sua região, conheceu o movimento em finais de 1959. Foi responsável de comunidades na Turquia, trabalhou para o dialogo com os ortodoxos e muçulmanos e colaborou na redação dos estatutos do movimento. Ela é um dos peritos nomeados pelo Papa para o Sínodo dos bispos sobre a nova evangelização a ter lugar em Outubro no Vaticano.

O livro "A aposta de Emmaus" está disponível nas livrarias a partir deste dia 22 de setembro e o programa completo do Loppanolab 2012 pode ser consultado em www.cittanuova.it.

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

Fonte: LoppianoLab


Maria Voce: o desafio de viver um carisma

25 Setembro 2012/Durante LoppianoLab, o laboratório promovido pelo grupo editorial Città Nuova, Polo industrial Lionello Bonfanti, Instituto Universitário Sophia e Mariápolis de Loppiano, para a Itália, foi apresentado o livro-entrevista da presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce.

Três salas interligadas, três mil pessoas e a transmissão, ao vivo, demonstram a grande espera suscitada pela apresentação do livro-entrevista no qual Maria Voce se dispôs, com muita boa vontade, a responder às mais variadas perguntas dos jornalistas Michele Zanzucchi e Paolo Lòriga (respectivamente diretor e redator-chefe da revista quinzenal Città Nuova): “O que fazem e o que pensam os focolarinos depois de Chiara Lubich? São progressistas ou conservadores? Trabalham para conquistar postos de relevo na Igreja e na política? Ou são pessoas que sorriem sempre e tentam agradar a todos?”.

“A aposta de Emmaus” é o título do livro que foi apresentado, em pré-lançamento, no dia 22 de setembro, em um diálogo que aconteceu entre a presidente dos Focolares e Lucetta Scaraffia (historiadora e editora do jornalL’Osservatore Romano”) e Marco Politi (escritor e editor de “Il Fatto Quotidiano”). Ambos não perderam a ocasião de ter diante deles Maria Voce e a entrevista tocou os mais diversos assuntos: como lidar com a questão da imagem depois de um período oculto, a solicitação de que os Focolares se tornem promotores da reflexão de grandes temas, como os leigos protagonistas, o ecumenismo, o diálogo interreligioso e com pessoas de outras convicções, a mulher, fim de vida, família e trabalho, os muçulmanos na Europa, o carisma feminino de Chiara Lubich como dom para a Igreja, o reduzido número de focolarinos que fazem uma escolha radical de vida em relação ao vasto Movimento, e ainda outros assuntos.

Maria Voce parece sentir-se na sala da própria casa com dois amigos. Com muita calma e serenidade responde imediatamente e com lucidez: “Não temos a doença do ocultismo; mas não fazemos questão da publicidade. Desejamos, ao invés, que as pessoas conheçam aquele tanto que conseguimos incidir positivamente nas realidades humanas. Não creio que tenho algo significativo a dizer pessoalmente, como Maria Voce, mas, como Movimento dos Focolares, sim”.

“Os leigos não têm necessidade de encorajamento, e sim de serem deixados livres para agir em um contexto eclesial de maior confiança”, lê-se no livro. Esta frase, muito apreciada por Lucetta, é a sugestão para falar sobre os leigos e a mulher: “Chiara, antes ainda de ser uma mulher, é leiga (…). Foi uma grande antecipação [de Chiara], a de fazer sentir a força vital do laicato na Igreja. No que diz respeito à presença feminina, Chiara gostava muito de dizer que a mulher tem, como características próprias, uma grande capacidade para amar e para sofrer. Isso se manifesta especialmente na maternidade. E, assim, eu diria que a mulher tem, de maneira especial, a capacidade de criar a atmosfera de família (…). Em uma Igreja que se quer sempre mais família, comunhão, síntese de todas as aspirações da humanidade, a mulher tem a sua importante função. Porém – assim como sempre dizia Chiara – tenho a convicção de que a mulher e o homem, diante de Deus, são igualmente responsáveis. Na Bíblia está escrito: “não existe nem homem nem mulher, nem judeu nem grego”; portanto, o importante é que, tanto a mulher quanto o homem se tornem o que devem ser, isto é, Cristo na Igreja”.

E depois de um intermezzo musical, Marco Politi propõe “um focolare do colóquio”: promover regularmente reflexões sobre os grandes temas. “Mais do que uma pergunta, é um desafio”, responde Maria Voce, “seria uma coisa mais congenial ao nosso estilo, ao nosso modo de fazer, porque não seria tanto um colocar em confronto grandes idéias, mas, experiências – como aconteceu durante esses dois dias com LoppianoLab -. O testemunho que queremos dar é o da relação com quem está ao nosso lado, não com os grandes sistemas”.

Em relação “à questão da construção de mesquitas, por exemplo, creio que o mais importante é que os muçulmanos sintam-se acolhidos e compreendidos pelos cristãos também no modo de expressar a própria religiosidade”. Continua afirmando que o Movimento capta a reflexão dos grandes temas através do próprio estilo, da proximidade, das experiências vitais. “Por exemplo, em uma escola, em um hospital, as pessoas do Movimento que trabalham nesses lugares se reúnem e partilham as experiências profissionais vividas segundo o cristianismo. Muitas vezes nasce da vida também uma reflexão que gera iniciativas concretas juntamente com linhas de pensamento que, depois, são oferecidas”. “O carisma, por si só, tem as respostas. São as interrogações que se transformam segundo as exigências de cada época. Diante de novas interrogações, exigem-se novas maneiras de formular as respostas que, de qualquer forma, encontram-se no carisma”.

Sobre o Ecumenismo: “Creio que seja um caminho difícil. É uma vergonha para todos os cristãos ser divididos. Se nos damos conta disso, sofremos. E o fato de participarmos do mesmo sofrimento, não poderá senão fazer com que demos passos para superar tal divisão. Assim, pode ser que, ainda que com fadiga, sejam dados os passos rumo à unidade. Para chegar à unidade é necessário que todos saibam perder alguma coisa, e isso custa. Nós acreditamos que, como Movimento, a nossa função é exatamente a de colocar-nos nesta fratura”. “Devemos caminhar! Acredito que seja uma busca a ser feita juntos”.

Sobre o exíguo número de focolarinos: “Exatamente porque é uma escolha radical, consumar-se na unidade – que significa amar-se reciprocamente, perdendo-se completamente no outro, para que Deus esteja entre nós – é uma escolha exigente à qual nem todos são chamados, mesmo se, no Movimento, todos fazem a escolha de Deus”. E conclui: “Interessa-nos que prossiga a idéia da fraternidade universal. É Deus que conduz a história, portanto, não devemos ter medo”.

O tempo passou rapidamente. Entre os três palcos e as três mil pessoas presentes estabeleceu-se um feeling que ninguém gostaria de interromper. Mas, “a aposta de Emmaus”, foi lançada… e acolhida.
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

Fonte: www.news.va

A «Voce» (Voz)  dos focolarinos 

2012-09-25 L’Osservatore Romano

Num vale verde do Chianti, na vila dos focolarinos, Loppiano, realizou-se de 20 a 23 de Setembro o «LoppianoLab 2012», quatro dias de laboratórios, seminários preparatórios, encontros entre gerações, momentos de descontração e  festa com jovens provenientes do mundo inteiro. No sábado, 22 de Setembro, em particular, realizaram-se dosi importantes encontros./Primeiro, um debate entre os jovens que moderaram os grupos de trabalho sobre temas como Europa, trabalho, crise económica e política. Às suas perguntas responderam, entre outros,  os economistas Luigino Bruni e Stefano Zamagni, o analista de questões europeias Paolo Ferrara e o director de «Città Nuova» Michele Zanzucchi. Particularmente interessantes as respostas de Zamagni que indicaram na falta de democracia deliberativa uma das razões principais da crise política, um aspecto sobre o qual ninguém fala. Democracia deliberativa significa que os cidadãos podem intervir na acção do Governo não só elegendo os representantes mas também influenciando-o entre  uma eleição e outra. Ao contrário, na Itália existe só a democracia ampla. A seguir, realizou-se um debate vivaz e brilhante sobre o último livro-entrevista de Maria Voce em diálogo com Paolo Lòriga e Michele Zanzucchi, La scommessa di Emmaus, Cosa fanno e cosa pensano i focolarini nel dopo Chiara Lubich (Roma, Città Nuova, 2012, 192 páginas, 14 euros), no qual participaram a historiadora e editorialista do nosso jornal Lucetta Scaraffia e o jornalista Marco Politi, editorialista de «Il Fatto Quotidiano». Numa sala cheia, realizou-se um intercâmbio apaixonado sobre as grandes questões da Igreja e da sociedade. Falou-se também do excesso de escondimento da presidente Voce, e do movimento em geral.

Maria Voce (que acabou de ser nomeada entre os auditores da próxima assembleia ordinária do Sínodo dos bispos sobre a Nova Evangelização) foi eleita presidente em 2008, sucedendo à fundadora Chiara Lubich. Calabresa, primeira  advogada da região, no movimento desde 1959, responsável das comunidades na Turquia, Maria Voce trabalhou pelo diálogo com ortodoxos e muçulmanos. Não era uma das mais estreitas colaboradoras de Chiara Lubich: de facto, foi eleita precisamente para «iniciar um caminho novo na Obra, dando início à crucial, delicada e indispensável passagem da estação de fundação para a fase imediatamente sucessiva».

Graças também às observações de Lucetta Scaraffia, o encontro deu a imagem de uma presidente corajosa, determinada e inovativa; «a senhora das surpresas», como é definida no livro. Portanto, o compromisso deve ser o de se fazer ouvir. Como movimento, como presidente e como mulher. «A culpa é também das mulheres se não ocupamos    lugares importantes na Igreja: não sabemos propor-nos» conclui Maria Voce.
Giulia Galeotti.
A difícil tarefa de Maria Voce, de substituir
a carismática Chiara Lubich, foi vencida
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

ECONOMIA DE COMUNHÃO NA CÁRITAS BRASILEIRA

ECONOMIA DE COMUNHÃO NA CÁRITAS BRASILEIRA


A ECONOMIA DE COMUNHÃO NA CÁRITAS BRASILEIRA

Fonte: caritas.org.br
Economia de Comunhão Para Superar a Crise

Focolares propõem cultura e prática da economia solidária

“Ao contrário da economia de consumo, baseada no ter, a economia da comunhão é a economia do doar”.

A frase de Chiara Lubich, escrita nas camisetas dos jovens voluntários do LoppianoLab, contém o sentido da Expo Econômica de Loppiano, aberta ontem, 20 de setembro.

São quatro dias de reuniões, debates, seminários, workshops, testemunhos, parcerias entre empresas, trabalhadores e cidadãos, estágios de jovens, experiências de formação universitária e política… Em suma, a sociedade civil comprometida com a discussão “Itália- Europa: um só canteiro de obras entre juventude, trabalho e inovação”.

Enquanto as sombras da crise parecem apagar a luz do sol, cinquenta empresas tentam criar sinergias para produzir inovação, trabalho e futuro na Itália. O LoppianoLab se apresenta como a convenção de empresas que fazem da economia da comunhão uma prática diária, com o compromisso de construir uma plataforma comum de diálogo e de inovação para alimentar a confiança e a esperança.

Eva Gullo, presidente da Economia de Comunhão, reiterou que “a inovação é o caminho para o emprego”. Por isso, “trabalho e inovação terão espaço privilegiado no lançamento de novos projetos e investimentos com foco nas áreas de energia renovável, agricultura e economia local”.

Francesco Tortorella, 35, presidente da Equivers, cooperativa de comércio justo que vende bolsas e roupas no Brasil e no Uruguai, contou que o LoppianoLab lhe ensinou “uma forma mais avançada de interagir com empresários e consumidores”: “Restabelecida a confiança e compartilhadas as dificuldades, nós podemos criar uma rede internacional de economia da comunhão, inclusive no campo dos operadores de turismo responsável”.

Inspirada e promovida por Chiara Lubich, a Economia da Comunhão é um projeto que engaja 800 empresas em todo o mundo, com foco na pessoa humana e motivado por uma cultura econômica orientada à gratuidade e à reciprocidade.

Luigino Bruni, coordenador do projeto, resume a ideia da Economia da Comunhão explicando que ela “se concentra na produção e no trabalho, e não na especulação e no lucro”.

Fonte: Antonio Gaspari, ZENIT.org


Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa


domingo, 16 de setembro de 2012

CÍRIO E FESTA DE NAZARÉ: TURISMO, ECONOMIA E CULTURA NO PARÁ

domingo, 16 de setembro de 2012


CÍRIO E FESTA DE NAZARÉ: TURISMO, ECONOMIA E CULTURA

CÍRIO E FESTA DE NAZARÉ COM INFLUÊNCIA NO TURISMO, ECONOMIA E CULTURA DO PARÁ
Parte I

CÍRIO DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ: INFORMAÇÕES
Esta postagem inicia, a partir do texto abaixo, uma série de informações sobre o Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré, de acordo com o os vários acontecimentos que vão se desenvolvendo, até o final dos inúmeros eventos da Quadra Nazarena e até o dia final dessa quadra.

CÍRIO E FESTA DE NAZARÉ COMO TURISMO, ECONOMIA E CULTURA DO ESTADO DO PARÁ
 Virgem de Nazaré, Rogai por nós

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré de
Abaetetuba

O Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré, que acontece no 2º domingo de outubro em Belém do Pará, está ganhando cada vez mais visibilidade e atraindo cada vez mais fiéis e turistas de todos os recantos do País.

No aspecto turístico da festa, espera-se a presença de mais de 75 mil turistas e que deverão movimentar mais de 28 milhões de dólares no Pará.

Um dos fatores que está determinando o aumento expressivo de romeiros e turistas no Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré foi o aumento das romarias, é isso está mexendo com tudo em Belém, seus bairros e cidades da sua Região Metropolitana. Com esse aumento considerável de romeiros e turistas a economia ganha como que uma nova dinâmica, principalmente nos setores de serviço, comércio, indústria e até a agropecuária, pois todas essas pessoas, além da participação no Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré, precisam ser bem acomodadas, daí a necessidade de mais, melhores e diversificados hotéis e restaurantes, e o comércio e indústria precisam oferecer cada vez mais opções aos turistas que sempre encontram novos produtos para comprar e que também querem levar consigo uma boa lembrança do Pará.

O setor do emprego em Belém aumenta consideravelmente sua oferta e o trabalho informal da Festa e Círio é uma boa oportunidade para as pessoas e famílias ganharem mais algum dinheiro.

Muitas casas dos bairros de Belém também estão se preparando para receber os parentes e amigos das famílias que residem nas cidades do interior do Estado e também os residentes em outras regiões do País, preparando acomodações e as compras dos materiais necessários para o tradicional Almoço do Círio feito com os parentes e amigos que vieram participar do Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré, a Padroeira dos Paraenses.

Sendo assim, o Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré demonstra a sua importância para toda a sociedade paraense, pois essa festa já é um dos maiores patrimônios culturais do Estado do Pará, que precisa ser cada vez melhor cuidado e preservado, pois é algo muito bonito e emocionante que o Estado tem a oferecer aos que vêm de fora.

 Tacacá, cultura do Pará

Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa

Parte II

CÍRIO E FESTA DE NAZARE : CONSIDERAÇÕES, CARACTERÍSTICAS E ASPECTOS A CONSIDERAR: 
 O Círio Como Patrimônio da Cultura Popular:

Quais as motivações que levam 2,5 milhões de pessoas a se prepararem durante meses e seguirem espontaneamente em procissão, durantes horas, em calor sufocante do sol à pino, uma pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré?

Era uma simples procissão católica que ao longo dos anos foi sempre crescendo, e saindo da órbita da própria Igreja Católica e se transformando numa manifestação popular que já extrapolou a dimensão local e se transformou em evento de dimensão nacional. Onde no Brasil e no mundo existe outra manifestação popular de tal porte todos os anos?

Mas foi só a religiosidade popular que levou o Círio de Nazaré, que acontece a cada 2º domingo do mês de outubro, a alcançar dimensões tão grandes? 

Ninguém pode negar que a religiosidade popular do povo paraense muito contribuiu para o crescimento e afirmação do Círio de Nazaré como uma das maiores manifestações católicas do mundo. Porque a procissão surgiu mesmo da fé popular aos santos em Belém e, em especial, no caso do Círio de Nazaré que surgiu cercado de lendas. Por certo que nos primeiros círios já existiam as motivações das promessas, as graças alcançadas, a proteção, as expiações de culpas, os ritos sagrados, o amor à Virgem Maria. Tudo isso é verdade e fazem parte das práticas católicas tradicionais. Mas atualmente não é toda a verdade, porque o Círio de Nazaré, ao longo dos anos, foi se transformando cada vez mais em uma manifestação popular que vai além de seu aspecto religioso, se transformando em uma festa dos católicos, não católicos e até é trans-religioso, isto é,  conseguiu abarcar pessoas de outras religiões.

Além do aspecto religioso a considerar no Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré, existem outras características e aspectos que hoje são levados em conta, pois também são questões que envolvem uma gama enorme de interesses, como por exemplo:

O Aspecto Econômico do Círio e Festa de Nazaré:

O Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré se transformou num importante fator econômico de Belém, sua área metropolitana e outros municípios do Pará. É um momento do turismo, dos serviços, das comunicações, do comércio formal, do comércio popular, da produção artesanal e do entretenimento, dos transportes e navegação, que são fatores que ocasionam uma forte expansão da economia de Belém e do Pará. Existem fontes confiáveis que dizem que quase a metade da população de Belém e romeiros de outros lugares, economizam o ano inteiro para gastarem na época do Círio e Festa de Nazaré e gastos em diferentes aspectos como alimentação, bebidas, vestuário e nas diversões dessa época.

Círio e Festa de Nazaré Como Celebração Comunitária:

Esse aspecto é interessante, porque alguns paradigmas de comportamentos são mudados. É a época em que o estranho se torna conhecido, o concorrente se transforma em parceiro, pois, nessa época, romeiros de todo o Pará e de outras regiões do Brasil e até do mundo, afluem à Belém e, muitos deles, se hospedam em casas de parentes e amigos. O Círio e após, o almoço do Círio, congrega as famílias.

A Corda do Círio Que Iguala a Todos: 
                               
A Corda que fica presa à Berlinda que leva a imagem da Santa, parece um momento de desespero. Porém se bem observada, veremos que todos os que procuram segurar a corda, veremos que aqueles milhares de promesseiros que se ajuntam nesse espaço,  se apertam, se protegem, se amparam, e caminham todos juntos e na mesma direção e sem preconceito de cor, idade ou classe social, todos igualados em um mesmo pensamento, no vestir anônimo e numa participação sem hierarquia de classes. Quem consegue segurar a Corda do Círio participa ao máximo da fé e cultura do Círio e na corda que une, o esforço individual se traduz em uma construção cultural. Enfim, na Corda do Círio, todos se fazem iguais nesse aspecto religioso e cultural do Círio. 

Depois, a Corda do Círio não é invenção recente. Vem desde a Era Provincial do Pará, quando os devotos procuravam agarrar a corda que ficava atada à Berlinda de Nossa Senhora de Nazaré, que já vinha sendo realizado anualmente na Província do Pará.

No início do Século XX essa tradição já estava enraizada à tradição do Círio de Nazaré. Em 1926 o Arcebispo Dom Irineu Joffily resolveu quebrar a tradição da Corda do Círio, tendo proibido essa prática, porém enfrentou a indignação geral do povo católico do Pará. Em 1931 essa prática foi restaurada pela intermediação do Interventor Federal, Magalhães Barata, diante da reclamação geral do povo, pela volta desse símbolo do Círio. Os arcebispos posteriores a Dom Irineu entenderam que segurar a corda, significava se agarrar, pela fé, à Nossa Senhora de Nazaré. 

Como é demonstrada a fé dos promesseiros que se agarram à Corda?

É um impressionante espetáculo ver aquela multidão de devotos se agarrar à Corda do Círio. Eles, compactados, lutam para conseguir seu espaço para empunhar a corda e seguir segurando a mesma durante a longa e demorada caminhada da grande procissão, não se importando pelo esforço físico, vestes encharcadas pelo suor, extenuados pelo esforço físico, sob a canícula inclemente, com os pés descalços, sendo pisoteados e maltratados. E tudo isso valendo a pena porque isso faz parte de sua fé em Nossa Senhora de Nazaré. E não se sabe de alguém que tenha sofrido pelo menos uma lesão grave ocorrida nessa penitência da corda. Segurar a Corda do Círio para esses devotos é expressar o seu agradecimento e significa o mesmo que segurar nas mãos da Virgem de Nazaré.
Portanto, impedir os devotos de assim exprimirem à sua gratidão à Santíssima Virgem ,significa romper uma tradição que já vem de seus pais, avós e bisavós, em tradição que já está arraigada como tradição do Círio e na cultura do paraense.

Se o Círio se torna mais demorado por causa da Corda do Círio, que se encontre um modo de se organizar a caminhada da corda mais rápida, como já vem acontecendo nos últimos anos e abolir essa tradição significa  desafiar a indignação que o fato causará. E também não permitir que os promesseiros e fiéis levem um pedacinho da Corda do Círio, é outro desafio para os organizadores da grande procissão. Todos querem ter um pedacinho da Corda para guardar como um objeto da devoção à Virgem de Nazaré e que foi conquistado com muito esforço e amor à Virgem santíssima.

CÍRIO E FESTA DE NAZARÉ COMO CULTURA DO PARÁ:

O Círio e Festa de Nazaré Como Aspecto Cultural do Pará e Brasil:

O Círio com a dimensão e grandiosidade que hoje tem, e que vem crescendo sempre mais a cada ano, se tornou culturalmente tão importante, que não se pode pensar o Pará sem o Círio e Festa de Nazaré. É o mesmo que se pensar no Rio de janeiro sem o seu Carnaval e o Brasil sem o Futebol. O Círio que veio de uma dimensão religiosa, foi agregando outras motivações da Cultura Paraense, como:
O Barco, o Rio e a Romaria Fluvial:

Belém, como grande parte das cidades paraenses, está cercada de rios, por onde navegam milhares de embarcações, que hoje fazem parte do cenário da cultura paraense e, levado por essa motivação é que temos, entre tantas outras romarias, a Romaria Fluvial, que hoje é parte integrante do Círio e Festa de Nazaré, onde centenas de embarcações vão prestar o seu tributo à Virgem de Nazaré.

Os Brinquedos de Miriti:

Os Brinquedos de Miriti de Abaetetuba fazem parte há longos anos do Círio e Festa de Nazaré. Ninguém sabe precisar ao certo o íniício dessa tradição que já tem mais de 200 anos, mas a idéia nasceu mesmo no primeiro Círio, por inspiração do Governador, que mandou organizar uma feira de produtos regionais para a ocasião. 
Ora, um dos maiores riscos de quem vive e trabalha nas águas é justamente o naufrágio e todos se agarram à Virgem de Nazaré na hora do perigo e depois de salvos, e mesmo sem os sobressaltos dos perigos do mar, que agradecem levando réplicas das canoas e barcos que escaparam de afundar, feitos em miriti, palmeira para qual a população ribeirinha encontrou diversas utilidades. Com uma polpa maleável, permite a confecção de um sem-número de objetos. Dos barcos a outros elementos da vida amazônica foi um passo e agora existe uma gama de brinquedos que enchem os olhos não só das crianças. A cobra que se contorce, os bonecos batendo no pilão, os pássaros que bicam a comida, o tatu que mexe a cabeça e o rabo, gaiolas com pássaros, coretos de praça, tudo o que se vê em volta da gente. Então, os Brinquedos de Miriti de Abaetetuba constitui uma cultura que já se incorporou também à cultura do Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré.

A Culinária Paraense no Círio e Festa de Nazaré:

O Almoço do Círio é o almoço feito após a procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré em família e com os amigos e como um ato de comunhão. O Almoço do Círio tradicionalmente é composto de farta mesa de comidas típicas, especialmente a maniçoba e o pato-no-tucupi, e que reúne toda a família e amigos e parentes chegados de outras partes do Pará e de outros estados, em verdadeiras festas de confraternização familiar. O tradicional Almoço do Círio é o dia em que a culinária paraense ganha ainda mais destaque. O Almoço do Círio tem a sua tradição, desde quando os promesseiros do Círio de Nazaré paravam na Casa de Plácido, quando eram agraciados com típicas comidas indígenas feitas com ervas e raízes. Hoje a culinária paraense chama a atenção para as iguarias cujo preparo peculiar, como a maniçoba e o pato no tucupi, já é objeto dos grandes restaurantes especializados de Belém. O Pato-no-tucupi, tradicional prato da culinária paraense e a Maniçoba também tradicional item da culinária da região, junto com outras iguarias paraenses, já fazem parte da Cultura do Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré.
A Imagem dos Santos, a Imagem da Virgem de Nazaré:
E quanto a imagem de Nossa Senhora, já falamos que a imagem em si não tem o Divino para ser adorado, mas é uma imagem que representa materialmente o Divino. É como uma igreja, monumentos e objetos sacros dos diversos cultos, que não são objetos de adoração, mas que representam o Divino. Ninguém em sã consciência vai dizer que precisa destruir ou derrubar uma igreja por que adoramos a igreja, mas amamos o Templo de Deus, porque ele representa o local onde se presta o Culto Divino. Maria não é divina e sua imagem também não é divina e todos temos consciência disso. Porém Maria é a Mãe de Deus e Jesus a nos entregou como nossa Mãe e, tanto de Cristo, feito Verdadeiro Homem, como de sua Mãe Santíssima, temos que ter suas imagens, porque as imagens simbolizam aquilo que está por trás, representam o Divino, a parte espiritual de nossa crença em Jesus, tão bem vivida por sua Mãe, a Virgem Santíssima, a Imaculada, a Bendita entre as mulheres, a Bem-Aventurada, aquela que deu o Seu Sim à Deus. E o próprio Deus, conforme nos falam as Sagradas Escrituras, mandou que se construísse a Arca da Aliança, que também era feita de matéria inanimada, porém para abrigar suas Leis, estas também esculpidas em pedra, e que se tornaram objetos sacros por aquilo que simbolizavam, isto é, conter e guardar Os Mandamentos de Deus, para os homens. E Deus ainda mandou que se fizessem imagens os querubins (anjos), Ex 25, 1022; Irs 6,23-28; 7, 23-26 e as imagens das serpentes abrasadoras, que significaram a força da Salvação que vem apenas de Deus e não das imagens dos deuses estrangeiros Nm 21, 4-9; Sab 16, 5-14.

As imagens e pinturas na Igreja, a partir dos primeiros séculos do Cristianismo, serviram como o Catecismo da Igreja Católica e tinham caráter pedagógico, pois a maioria dos primeiros crentes não sabiam ler e escrever e só podiam aprender os Mandamentos de Cristo através das pinturas e imagens.

A honra que nós católicos prestamos à Imagem de Nossa Senhora de Nazaré é apenas uma veneração respeitosa e não adoração. 

Então, o Círio e Festa de Nazaré congrega e identifica o Paraense, não apenas como membro ativo da cultura local, mas da cultura brasileira, amazônica, na pluralidade e diversidade que nos caracteriza e pela fé que os paraenses devotam à Virgem de Nazaré, conforme nos falam as Sagradas Escrituras.

Portanto, além do forte aspecto religioso do Círio e Festa de Nazaré, estamos diante de um patrimônio da cultura popular do Pará e Brasil, um patrimônio que ajuda a moldar a identidade do Pará e, por esse motivo, o Círio de Nazaré já foi tombado como Patrimônio Imaterial do Pará e do Brasil.

Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 18/9/2012