quinta-feira, 26 de março de 2015

Palavra de Vida de Março 2015

Palavra de Vida de Abril 2015


Fonte: www.focolares.org.pt

Março 2015  

"Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mc 8, 34) 

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Palavra de Vida de Fevereiro de 2015

Palavra de Vida de Fevereiro de 2015

Fonte: focolares.org.pt
Fevereiro 2015
SÁBADO, 31 JANEIRO 2015 22:19
“Acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus” (Rm 15, 7).
Desejando dirigir-se a Roma, para depois prosseguir para Espanha, o apóstolo Paulo envia primeiro uma carta às comunidades cristãs daquela cidade. No seio destas comunidades - onde bem depressa um elevado número de mártires testemunharia uma sincera e profunda adesão ao Evangelho - não faltam, como noutros lugares, tensões, incompreensões, e até rivalidades.
Os cristãos de Roma representam vários estratos sociais, culturais e religiosos. Há pessoas que provêm do judaísmo, do mundo helénico, da antiga religião romana e até do estoicismo e de outras orientações filosóficas. E trazem consigo as suas tradições culturais e convicções éticas. Alguns deles são apelidados “fracos”, por causa dos seus hábitos alimentares especiais (por exemplo, o vegetarianismo), ou ligados a calendários para jejuns em certos dias especiais. Outros são chamados “fortes”, por não se submeterem a todos estes condicionalismos, sejam eles tabus alimentares, ou outros rituais especiais. A todos Paulo dirige este veemente convite: 
“Acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus”. 
Este assunto começa a ser abordado por Paulo já no princípio da carta. Ele dirige-se primeiramente aos “fortes”, convidando-os a “acolher” os “fracos”, “sem discutir as suas opções”. Depois, dirigindo-se aos “fracos”, pede-lhes para aceitarem os “fortes”, sem os julgar, uma vez que todos são “acolhidos” por Deus.
Paulo está realmente convencido de que todos, apesar da diversidade de opiniões e costumes, agem por amor ao Senhor. Portanto, não há qualquer motivo para julgarmos aqueles que têm opiniões diferentes de nós, e muito menos temos o direito de os escandalizar com a nossa atitude arrogante, de superioridade. O que importa mesmo é trabalharmos para o bem de todos, para a “edificação mútua”, isto é, a construção da comunidade e a sua unidade (cf. 14, 1-23).
Trata-se, também neste caso, de aplicar a grande norma do viver cristão que Paulo recordara pouco antes, nesta mesma carta: «É no amor que está o pleno cumprimento da Lei» (13, 10). Por não se comportarem «de acordo com o amor» (14, 15) é que entre os cristãos de Roma tinha diminuído o espírito de fraternidade, que deve animar os membros de todas as comunidades.
O apóstolo propõe, como modelo do acolhimento recíproco, a atitude de Jesus que, na sua morte, em vez de se preocupar consigo próprio, tomou sobre si as nossas fraquezas (cf. 15, 1-3). Do alto da cruz atraiu todos a si, acolhendo simultaneamente o hebreu João e o centurião romano, Maria Madalena e o malfeitor crucificado ao seu lado. 
“Acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus”. 
Também nas nossas comunidades cristãs, mesmo que todos sejamos «amados por Deus e chamados a ser santos» (1, 7), não faltam, como na comunidade romana, discordâncias entre maneiras de ver diferentes e contrastes culturais que parecem inconciliáveis. Muitas vezes, há oposição entre os tradicionalistas e os inovadores – para usar uma linguagem um pouco simplista talvez, mas mais compreensível –, entre pessoas mais abertas e outras mais fechadas, pessoas interessadas num cristianismo mais social ou mais espiritual. Tais diferenças são depois reforçadas pelas convicções políticas e proveniências sociais muito variadas. O atual fenómeno imigratório acrescenta, às nossas assembleias litúrgicas e aos diversos grupos eclesiais, outros componentes de diferenciação cultural e geográfica.
Estas mesmas dinâmicas podem surgir nas relações entre os cristãos das diferentes Igrejas, mas também nas famílias, nos ambientes de trabalho ou nos meios políticos. Insinua-se a tentação de julgarmos aqueles que pensam diferentemente de nós e de nos considerarmos superiores, numa estéril contraposição e exclusão recíprocas.
O modelo proposto por Paulo não é o uniformismo que tudo nivela, mas sim a comunhão enriquecedora entre pessoas diferentes. Não é por acaso que nos dois capítulos precedentes, na mesma carta, o apóstolo fala da unidade do corpo e da diversidade dos membros, assim como da variedade dos carismas que enriquecem e animam a comunidade (cf. 12, 3-13).
Usando uma imagem do Papa Francisco, o modelo não é a esfera, na qual cada ponto é equidistante do centro, sem quaisquer diferenças entre os vários pontos. O modelo é o poliedro, cujas superfícies são diferentes umas das outras, numa composição assimétrica, onde cada componente mantém a sua originalidade. «Até mesmo as pessoas que possam ser criticadas pelos seus erros têm algo a oferecer, que não se deve perder. É a união dos povos que, na ordem universal, conservam a sua própria peculiaridade; é a totalidade das pessoas numa sociedade que procura um bem comum que verdadeiramente incorpore a todos» (1). 
“Acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus”. 
Esta Palavra de Vida é um premente convite a reconhecer o positivo que existe no outro, quanto mais não seja pelo facto de Cristo ter dado a vida por essa pessoa que eu sou tentado a julgar. É um convite à escuta (sem mecanismos defensivos), a permanecer abertos à mudança, a aceitar as diferenças com respeito e amor, para conseguir formar uma comunidade plural, mas unida.
Esta Palavra foi escolhida pela Igreja evangélica na Alemanha, para que os seus membros a vivam e sejam por ela iluminados, durante todo o ano de 2015. O facto de a vivermos conjuntamente com membros de outras Igrejas, ao menos durante este mês, deve ser um sinal de aceitação recíproca.
Poderemos assim dar glória a Deus com uma só alma e uma só voz (15, 6), porque, como Chiara disse na catedral reformada de Saint Pierre, em Genebra: «O tempo presente [...] exige de cada um de nós amor, exige unidade, comunhão, solidariedade. E interpela também as Igrejas a recomporem a unidade quebrada há séculos. É esta a reforma das reformas que o Céu nos pede. É o primeiro e necessário passo em direção à fraternidade universal, com todos os homens e mulheres do mundo. De facto, o mundo acreditará, se nós formos unidos» (2).
Fabio Ciardi
Evangelii Gaudium, 236; 2) Chiara Lubich, Il dialogo è vita, Roma 2007, pp. 43-44.

Para quem não leu, meditou e aplicou em sua vida, leia a Palavra de Vida do mês de Janeiro de 2015
Clique para ampliar e leia




Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Palavra de Vida de Dezembro 2014

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Palavra de Vida de Dezembro 2014

Preparação Para o Advento
Palavra de Vida de Dezembro 2014
Fonte: Encontro Palavra de Vida
Terça-feira, 2 de Dezembro de 2014

Palavra de Vida - dezembro - com desenhos para crianças
Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos.
Palavra de Vida - dezembro - adolescentes
Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês, uma síntese ilustrada do comentário de Chiara Lubich. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.
Palavra de Vida - dezembro
«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo» (Lc 3,11).
Neste período do Advento – o tempo que nos prepara para o Natal – é-nos proposta, de novo, a figura de S. João Baptista. Ele foi enviado por Deus a fim de preparar o caminho para a vinda do Messias. A todos os que iam ter com ele, pedia uma profunda mudança de vida: «Produzi frutos de sincero arrependimento» (Lc 3, 8). E a quem lhe perguntava: «Que devemos, então, fazer?» (Lc 3, 10), respondia:
«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo».
Porquê dar ao outro que é meu? Porque o outro, tendo sido criado por Deus, tal como eu, é meu iraquilo mão, minha irmã. Portanto, é parte de mim. «Não posso ferir-te sem me magoar» (2), dizia Gandhi. Fomos criados para sermos uma dádiva uns para os outros, à imagem de Deus que é Amor. No nosso sangue temos inscrita a lei divina do amor. Jesus, vindo viver entre nós, revelou-no-lo claramente quando nos deu o seu mandamento novo: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (cf. Jo 13, 34). É a “lei do Céu”, a vida da Santíssima Trindade trazida à Terra, é o centro do Evangelho. Tal como no Céu o Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem em plena comunhão, a ponto de serem uma coisa só (cf. Jo 17, 11), também nós, na Terra, seremos nós próprios na medida em que vivermos na reciprocidade do amor. E como o Filho disse ao Pai: «Tudo o que é meu é teu e o que é teu é meu» (Jo 17, 10), também entre nós o amor é completo quando se partilham não só os bens espirituais, mas também os bens materiais.
As necessidades de um nosso próximo são as necessidades de todos. Falta a alguém o trabalho? É a mim que falta. Há quem tem a mãe doente? Ajudo-o como se fosse a minha. Outros têm fome? É como se eu tivesse fome e procuro comida para eles como o faria para mim próprio.
É a experiência dos primeiros cristãos de Jerusalém: «(A multidão) tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum» (Act 4, 32). Comunhão de bens que, embora não obrigatória, era vivida, no entanto, intensamente entre eles. Não se tratava – como explicaria o apóstolo Paulo – de fazer entrar em apuros alguns para aliviar outros, «mas sim de que haja igualdade» (2 Cor 8, 13).
S. Basílio de Cesareia diz: «Ao faminto pertence o pão que tu pões de lado; ao nu, o casaco que guardas no teu baú; aos indigentes, o dinheiro que tens escondido»
(3).
E Santo Agostinho: «O supérfluo dos ricos pertence aos pobres» (4).
«Também os pobres se têm de ajudar uns aos outros: um pode emprestar as suas pernas ao coxo; o outro, os seus olhos ao cego, para o guiar; um outro ainda, pode visitar os doentes» (5).
«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo».
Também hoje podemos viver como os primeiros cristãos. O Evangelho não é uma utopia. São uma demonstração disso, por exemplo, os novos Movimentos eclesiais que o Espírito Santo suscitou na Igreja, para fazer reviver, com frescura, a radicalidade evangélica dos primeiros cristãos e para responder aos grandes desafios da sociedade atual, onde as injustiças e a pobreza são tão fortes.
Recordo o início do Movimento dos Focolares, quando o novo carisma nos infundia no coração um amor muito especial pelos pobres. Quando os encontrávamos na rua, tomávamos nota das suas moradas, para mais tarde os ir visitar e ajudar. Eram Jesus: «Foi a mim que o fizestes» (Mt 25, 40). Depois de os termos visitado nos seus casebres, convidávamo-los para irem almoçar à nossa casa. Para eles, púnhamos a toalha mais bonita, os melhores talheres, a comida de melhor qualidade. À nossa mesa, no primeiro focolar, sentavam-se uma focolarina, um pobre, uma focolarina, um pobre...
A um dado momento, pareceu-nos que o Senhor nos pedia que também nós nos tornássemos pobres, para servirmos os pobres e a todos. Então, num quarto do primeiro focolar, cada uma colocou, ali no meio, aquilo que pensava ter a mais: um casaco, um par de luvas, um chapéu, e até um casaco de cabedal... E, atualmente, para ajudarmos os pobres, temos empresas que dão postos de trabalho e dão os seus lucros para distribuir!
Mas ainda há muito a fazer pelos “pobres”.
«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo».
Temos tantas riquezas para pôr em comum, mesmo que não nos pareça! Temos sensibilidades a aperfeiçoar, conhecimentos a adquirir para podermos ajudar concretamente, para encontrar o modo de viver a fraternidade. Temos afeto no coração para dar, cordialidade para exprimir, alegria para transmitir. Temos tempo para pôr à disposição, orações, riquezas interiores para pôr em comum pessoalmente ou por escrito. Mas temos também, às vezes, coisas: carteiras, canetas, livros, dinheiro, casas, automóveis para pôr à disposição...
Provavelmente acumulamos muitas coisas, pensando que um dia nos vão ser úteis e, no entanto, ali ao lado, há quem precise delas urgentemente.
Assim como as plantas absorvem do solo apenas a água que lhes é necessária, também nós procuremos ter apenas aquilo de que precisamos. É preferível que, de vez em quando, verifiquemos que nos falta qualquer coisa. É melhor sermos um pouco pobres do que um pouco ricos.
«Se todos se contentassem com o necessário – dizia S. Basílio –, e dessem o supérfluo aos necessitados, já não haveria nem ricos nem pobres» (6).
Experimentemos, comecemos a viver assim. É claro que Jesus não deixará de nos fazer chegar o cêntuplo. Teremos então a possibilidade de continuar a dar. No final, ele vai dizer-nos que tudo o que tivermos dado, seja a quem for, foi a Ele que o demos.
Chiara Lubich
1) Publicada em Città Nuova 2003/22, p. 7; 2) cf. Wilhelm Mühs, Parole del cuore, Milão 1996, p. 82; 3) Aforismi e citazioni cristiane, Piemme, 1994, p. 44;
4) ID, p. 45; 5) ibid.; 6) Aforismi e citazioni cristiane, p. 44.
Palavra de Vida dezembro em PDF
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Palavra de Vida de Outubro 2014

Palavra de Vida de Outubro 2014

 Fonte: encontropalavradevida.blogspot.com
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede» (Jo 6, 35).
 
Neste trecho do Evangelho, São João conta que Jesus, depois de ter multiplicado os pães – durante o grande discurso feito em Cafarnaum –, diz: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará» (Jo 6, 27).
Para os seus ouvintes, é uma referência muito evidente ao maná do deserto, assim como à expectativa do “segundo” maná que irá descer do céu no tempo messiânico.
Como a multidão não compreende bem, pouco depois, no mesmo discurso, Jesus apresenta-se como sendo Ele mesmo o verdadeiro pão descido do céu, que deve ser aceite mediante a fé: 
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede». 
Jesus vê-se já como pão. É exatamente esse o motivo último da sua vida aqui na Terra. Ser pão para ser comido. E ser pão para nos comunicar a sua vida, para nos transformar n’Ele. Até aqui o significado espiritual desta palavra, com as suas referências ao Antigo Testamento, é claro. Mas o discurso torna-se misterioso e difícil quando, mais adiante, Jesus diz de si mesmo: «O pão que Eu hei de dar é a minha carne, pela vida do mundo» (Jo 6, 51b) e «se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (Jo 6, 53).
É o anúncio da Eucaristia, que escandaliza e afasta muitos discípulos. Mas é a maior dádiva que Jesus quer oferecer à humanidade: a sua presença no sacramento da Eucaristia, que sacia a alma e o corpo, que dá a plenitude da alegria, pela íntima união com Jesus.
Uma vez nutridos com este pão, já não há razão para existir qualquer outra fome. Todo o nosso desejo de amor e de verdade é saciado por Aquele que é o próprio Amor, a própria Verdade. 
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede». 
Portanto, este pão nutre-nos de Jesus já nesta Terra. Mas é-nos dado para que, cada um de nós possa, por sua vez, saciar a fome espiritual e material da humanidade que nos circunda.
O mundo recebe o anúncio de Cristo não tanto através da Eucaristia, quanto através da vida dos cristãos nutridos por ela e pela Palavra. Eles, pregando o Evangelho com a vida e com a voz, tornam presente Cristo no meio das pessoas.
A vida da comunidade cristã, graças à Eucaristia, torna-se a vida de Jesus. Uma vida, portanto, capaz de dar o amor e a vida de Deus aos outros. 
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede». 
Com a metáfora do pão, Jesus ensina-nos também a forma mais autêntica, mais “cristã” de amar o nosso próximo.
De facto, o que significa amar?
Amar significa “fazer-se um” com todos, fazer-se um em tudo aquilo que os outros desejam: nas coisas mais pequenas e insignificantes e naquelas a que talvez nós não dêmos importância, mas que interessam aos outros.
E Jesus exemplificou de forma estupenda este modo de amar tornando-se pão para nós. Ele faz-se pão para entrar em todos, para se tornar comestível, para se fazer um com todos, para servir, para amar todos.
Então, façamo-nos um também nós até ao ponto de sermos alimento para os outros.
O amor é isto: fazer-se um de modo que os outros se sintam nutridos com o nosso amor, confortados, aliviados, compreendidos. 
Chiara Lubich
1) Publicada em Città Nuova 2000/14, p. 7. 

Palavra de Vida de Outubro 2014 Para Adolescentes

Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês, uma síntese ilustrada do comentário de Chiara Lubich. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.
Palavra de Vida de Outubro 2014 Para Crianças

Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos.

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha



domingo, 26 de outubro de 2014

Remédios Caseiros de Abaetetuba

Remédios Caseiros de Abaetetuba
REMÉDIOS CASEIROS DE ABAETETUBA: MEMÓRIAS DE ALGUNS REMÉDIOS E PROCEDIMENTOS
Partes da palmeira conhecida como açaizeiro
têm aplicações na Medicina Caseira de
Abaetetuba
As plantas medicinais da Amazônia são coletadas nas matas, nas capoeiras ou nos terrenos dos ribeirinhos e quintais das casas.  As plantas medicinais são usadas há séculos pelos povos indígenas da América Latina, mas somente nas últimas quatro décadas passaram a ser pesquisadas e até patenteadas por laboratórios estrangeiros, devido á eficácia de seus poderes curativos. Para os cientistas a Amazônia é um vasto laboratório natural, onde ainda podem ser localizadas espécies desconhecidas e outras largamente utilizadas pelas populações ribeirinhas, mas estranhas aos pesquisadores. As técnicas de preparo dos remédios foram se aprimorando ao longo do tempo, graças á dedicação dos pajés, estes misto de sacerdotes, profetas e médico-feiticeiros, que curavam mau-olhado e encantamento de mãe-d’água e doenças com poções preparadas à base de raízes, caules, folhas, frutos e sementes. As plantas amazônicas continuam fazendo sucesso mesmo nas grandes cidades, especialmente Belém.
Os REMÉDIOS CASEIROS, as Superstições e as Simpatias faziam parte da cultura de Abaetetuba também nas questões do tratamento da saúde do povo (essa cultura ainda existe, porém sem a intensidade do passado), especialmente das populações ribeirinhas, das colônias e até na própria cidade, devido a troca dos produtos da medicina caseira pelos remédios alopáticos das farmácias. Essas populações que viviam em centenas de lugares distantes e isolados, sem as facilidades de locomoção dos dias atuais, recorriam mesmo às fórmulas dos remédios caseiros vindos de seus antepassados, dos antigos curandeiros ou parteiras de comunidades, como também recebiam influências das antigas superstições existentes, no tratamento de todas as doenças e problemas de saúde do seu dia-a-dia.
Aqui trataremos dessas questões apenas como resgate da memória dessa antiga cultura, que está desaparecendo devido a vários fatores, sendo um deles a facilidade de aquisição de remédios químicos através da grande quantidade de farmácias existentes no município, como também a presença de clínicas e hospitais públicos e particulares, se não como a solução dos problemas de saúde, pelo menos como a maneira das pessoas conseguirem as receitas médicas recomendando os remédios a serem usados em seus problemas de saúde. Não recomendamos o uso dos remédios caseiros e procedimentos que aqui serão apresentados, a não ser daqueles casos que já foram devidamente comprovados e testados por estudiosos e centros de pesquisas do assunto e, repetimos, é apenas o Resgate da Memória de uma antiga cultura de Abaetetuba. Aliás, alguns remédios e procedimentos caseiros aqui apresentados, pensamos nós, serão de fácil percepção se estão no campo dos remédios caseiros usados com eficácia nos problemas de saúde ou, se estão eivados de superstições, mitos ou lendas também de nossa cultura.
Os remédios caseiros tiveram a sua fase áurea nos anos iniciais do século 20 até os anos da década de 1960 e 1970, quando começaram a surgir farmácias, médicos e a instalação de um posto dos antigos Serviços Especiais da Saúde Pública-SESP na cidade. A partir daí o tratamento e curas de doenças começaram a ser feitas através dos primeiros farmacêuticos e médicos e das primeiras poções e remédios químicos das primeiras farmácias que se instalaram na cidade. Porém, ainda continuou intenso o uso dos remédios caseiros no tratamento e cura de muitas doenças e essa cultura envolvia alguns componentes do misticismo e superstições dos rituais vindos dos indígenas e dos escravos vindos da África.
Essa prática ainda existe na Zona Ribeirinha e nas Colônias de Abaetetuba, pois nas matas dessas regiões ainda existem algumas espécies vegetais e animais que fazem parte dessa antiga cultura de Abaetetuba. Sabe-se que o tratamento e cura através dos remédios caseiros têm um fundo de verdade, porque muitas plantas e animais possuem seus princípios ativos, porém falta a comprovação científica para o uso desses remédios, que somente agora estão tendo a devida atenção e comprovação através de estudos universitários e pesquisas independentes, mas somente para o poder curativo de algumas plantas mais tradicionais na medicina caseira.
E, como ambientalista que somos, temos a declarar que muitas plantas e animais citados nas postagens já estão extintos ou vias de extinção pelo intenso desmatamento que destruiu o habitat de muitas dessas plantas e animais e a coleta, caça e pesca predatória que levou à extinção a maioria das plantas e animais que serão citados nestas postagens, inclusive alguns seres vivos que foram extintos já nos séculos 17 e 18 durante o processo de colonização do Pará. Junto de algumas plantas citadas e da maioria dos animais, faremos as observações sobre a extinção ou superstições que envolvem alguns processos da medicina caseira com esses seres da flora e da fauna da Região Tocantina, como também de outros elementos usados na medicina caseira.
Os dados para estas postagens foram retirados dos escritos dos pesquisadores e historiadores da cultura de Abaetetuba, especialmente das professoras Maria de Nazaré Carvalho Lobato, Maria do Monte Serrat Carvalho Quaresma, de algumas pesquisas de conclusão de curso de alguns alunos do Campus Universitário de Abaetetuba-UFPA, do Blog do Professor Riba e das pesquisas do autor do Blog, professor Ademir Rocha junto às comunidades ribeirinhas visitadas.
OS REMÉDIOS CASEIROS DE ABAETETUBA E ALGUNS COMENTÁRIOS
Os REMÉDIOS CASEIROS eram fórmulas caseiras de medicação à base de ervas, plantas medicinais, óleos, gorduras e banhas de origem vegetal ou animal, banhos, fomentações, chás, garrafadas, choques, lavagens, defumações, infusões, ponches, dietas e outras formas de medicação caseira, ministrados muitas vezes de forma ritualística baseada de acordo com algumas crenças, rituais, mitos, superstições, lendas, simpatias ou na força do sobrenatural, como são os casos do curandeirismo, da pajelança, da macumba ou do candomblé. Eram muitos os remédios caseiros usados pelo povo de Abaetetuba e que já vêm de lnga data de uso. Esses remédios fazem parte da cultura de Abaetetuba e são costumes e conhecimentos vindos dos povos índios e negros. E o povo antigo de Abaetetuba, não tendo meios nem acesso aos medicamentos químicos, se valem até os dias atuais, dos remédios naturais vindos de plantas e animais que os ribeirinhos e moradores das colônias agrícolas cultivam, criam ou caçam em seus terrenos e que têm poder curativo satisfatório no meio rural e até na cidade.  e usados na forma de unguentos, defumações e outros meios na cura de todas as doenças. O uso de alguns remédios caseiros, vindo dos costumes indígenas e depois dos negros, é ainda conservado  precariamente como tradição no município.
A Origem dos Remédios Caseiros
A origem dos remédios caseiros em Abaetetuba é secular, vinda através dos primitivos habitantes do lugar, os indígenas da região do Tocantins e, posteriormente, em mistura com a  cultura negra vinda com os escravos da época da colonização e com acréscimos de elementos da cultura dos colonizadores portugueses e dos comerciantes estrangeiros vindos da cultura árabe e judaica. Portanto, a secular medicina caseira vinda dos indígenas, incorporou elementos de outras culturas, que dominou o cenário da medicina caseira dos ribeirinhos e colonos e até na própria cidade até os dias atuais, onde pontificaram muitas pessoas com conhecimentos dessa tradicional cultura dos remédios caseiros.
ÍNDIOS
Nossos ancestrais indígenas conhecem os 
segredos da Medicina Natural há
milhares de anos
Os ÍNDIOS, naturais da terra, que tinham a sua própria cultura, a sua própria língua, sua própria crença e que procuravam viver em comunhão com a terra, e usavam os elementos naturais como os vegetais, os animais, que em seus rituais e crenças no sobrenatural usavam esses elementos em sua medicina caseira. Assim, substâncias vindas das plantas, junto com saliva, urina e órgãos animais,  gorduras, chifres, ossos e outras eram abundantes em seus rituais de curas e pajelanças. Os índios usavam uma variedade enorme de vegetais em diferentes tipos de preparos medicinais.
NEGROS
Os NEGROS que vieram para o Brasil durante o período da escravidão trouxeram consigo os seus costumes, suas crenças, sua cultura, e entre eles a sua medicina caseira que envolvia também elementos do sobrenatural. Muitos negros vindos como escravos para o Brasil eram curandeiros ou feiticeiros e, portanto, e eles eram peritos no uso de plantas e no Brasil também usavam seus conhecimentos na medicina mística das raízes e ervas em suas cerimônias de curandeirismos. Essa cultura não podia ser manifestada em sua forma original e, assim, foram obrigados a misturar suas crenças e conhecimentos da medicina caseira com a cultura do homem branco colonizador do Brasil, surgindo assim as crenças afro-brasileiras, onde também havia também os elementos da medicina caseira, agora manifestada nas tendas e terreiros de Candomblé e Macumba.
BRANCOS
Os BRANCOS, como os portugueses e os vindos de outras nações europeias trouxeram em sua bagagem pessoas com conhecimentos médicos elementares. Entre os milhares de portugueses vindos para o Brasil no período da colonização, muitos vieram na condição de degredados e entre estes, muitos eram acusados do exercício do curandeirismo, prática que era considerada crime pela Igreja Católica, pois era uma prática herética. Isso encheu a colônia brasileira de benzedeiras, milagreiras, parteiras, curandeiras. E também os judeus e árabes vindos para o Pará trouxeram consigo seus conhecimentos médicos através do uso de ervas e outros elementos naturais e suas superstições ou uso do sobrenatural no uso dos conhecimentos médicos.
ALGUNS PROCEDIMENTOS USADOS NA ANTIGA MEDICINA CASEIRA DE ABAETETUBA
Comentários
O uso dos remédios caseiros e os serviços dos curandeiros, puxadores, benzedeiros, parteiras e outros, era a única alternativa de tratamentos e curas na antiga Abaetetuba, costume que perdurou por muitos anos e hoje, apesar da presença de médicos, clínicas e hospitais, ainda se nota essa tradição, mesmo que em menor escala e desprovida do misticismo de antes, especialmente nas localidades distantes e de difícil acesso, e onde os serviços médicos atuais ainda não chegaram.
Não temos prevenção nenhuma contra o uso dos remédios caseiros, mesmo porque não se conhecem fatos de que essa tradição tenha atentado contra a vida de alguma pessoa em Abaetetuba. Porém, do modo como apresentamos abaixo não recomendamos sua aplicação, devido estes escritos serem apenas uma contribuição do Blog do Prof. Ademir Rocha, no resgate da MEMÓRIA DA MEDICINA CASEIRA DE ABAETETUBA.
A secular medicina caseira, não só de Abaetetuba, como em todo o Brasil, vem recebendo atualmente a atenção de renomadas instituições científicas, centros de pesquisas e universidades, onde estão sendo comprovados os efeitos curativos de  plantas e animais, fato importante, pois tais estudos vêm apenas reforçar a crença de nossos antepassados nesse tipo de medicina ancestral.
OS CHÁS
CHÁS, que era o mais usual processo usado contra doenças ou outros males, em procedimentos variados de fervuras de partes das ervas e plantas medicinais, isolada ou conjuntamente gerando o líquido que era usado conforme as doenças e demais males que acometiam os membros das populações ribeirinhas, das colônias e da própria cidade. Existiam chás para cada tipo de doenças e males na antiga cultura da medicina caseira de Abaetetuba. É claro que o processo de fervura das hervas e plantas levava em conta o princípio curativo das mesmas que se fixavam na água usada nas fervuras. Depois de prontos os chás eram bebidos conforme as recomendações de cada caso de uso.
Entre os chás de Abaetetuba existia o especial “CHÁ PRETO”, diferente do existente nos dias atuais e vendido na praça comercial. Esse chá preto de Abaetetuba era usado pelas antigas parteiras e que recebia os seguintes componentes da medicina caseira:
Alecrim, mel de abelha, mamona, alfazema, salva, arruda, pluma, entre outras. Esse milagroso chá servia no tratamento dos problemas das mulheres paridas e limpeza de útero nos partos e para as mulheres que tinham abortado.
AS VENTOSAS
VENTOSAS, que eram copos e velas que eram instrumentos usados pelas “puxadeiras ou puxadores”, no tratamento de quebraduras de ossos, torceduras, costas rasgadas, luxações musculares e levantamento de espinhela caída. Pessoas que fazem esses serviços ainda existem pelo município. O puxador dava um jeito de pregar o copo pela pressão do ar contra o corpo, no local da parte afetada e ficava fazendo aqueles movimentos com o copo para colocar no lugar o osso ou músculo deslocado ou rasgado. A vela acesa era usada nesse procedimento, quando era colocado em cima do local em tratamento. Com o copo o puxador fazia aqueles movimentos em torno da vela acesa. Como é um ritual de cura, eram usadas também as rezas adequadas para a ocasião. Porém esses procedimentos jamais falhavam, apesar do misticismo presente. Existia também os puxadores que usavam unguentos, óleos, azeites e outros elementos da medicina caseira.
A SANGRIA
SANGRIA, que era um procedimento usado nas picadas de animais peçonhentos, especialmente picadas de cobras e aranhas venenosas. O curandeiro fazia os procedimentos necessários no local picado, incluindo a amarração do braço ou perna (torniquete), fazendo a sangria com um pequeno objeto cortante para que o sangue envenenado saísse do membro afetado e emprego de outros rituais. Com esse 1º tratamento a pessoa envenenada pela picada era enviada para a cidade para receber a vacina adequada. O tratamento inicial do curandeiro era necessário para que a pessoa não viesse a falecer pela picada da cobra ou aranha e assim dispunha de mais tempo para o tratamento através de vacina.
OS CHOQUES
CHOQUES, era procedimentos usados nos problemas de dor de cabeça, constipação nasal, fraqueza cerebral, esquecimento e outros males que afetam a cabeça e através de um preparado da mistura de remédios caseiros, que embebidos em uma toalha felpuda eram aplicados na cabeça,   no peito, nos pulsos da pessoa doente. O choque era aplicado conforme o tipo de doença ou problemas de saúde:
Choque para fraqueza na cabeça e esquecimento: uma mistura de água de coco, mamona, vinagre aromático, canela e tutano de boi, colocando-se rodinhas de panos embebidos nessa mistura e aplicando na fonte, no peito e nos pulsos da pessoa afetada.
Choque na constipação nasal, dor de cabeça: uma mistura de folhas de alfavacão, feijão-cuandu, suco de frutas, sumo de pião branco, mamona e vinagre aromático, com aplicação na cabeça do doente.
Choque para o reumatismo no sangue com reflexo na cabeça: uma mistura de urina choca, feijão cuandu, mamona e vinagre aromático, com aplicação na cabeça.
AS BOLAS
BOLAS de pimenta, espécie de supositório, feito numa mistura de sebo de Holanda, pimenta malaguetas misturadas à pirão de farinha d’água escaldado e procedimento usado nas lavagens intestinais em várias situações, como nos casos da febre alta, febre maligna, dores abdominais, reanimações de instestinos com hemorróidas. Dizem os antigos que o efeito desse preparado com pimenta malagueta era eram avassalador pelo efeito da queimadura da  pimenta nas mucosas do ânus e intestinos, mas seu efeito curativo era certo. Pegava-se o sebo de Holanda que era misturado com  pirão de farinha coada e escaldada, mamona, pimenta malagueta socada, sumo do pião branco, óleo de copaíba, que formavam uma espécie de massa feita em bacia. O curandeiro ia fazendo pequenas bolas desse pirão e ia empurrando através do ânus da pessoa doente ou com algum mal intestinal. Quem recebeu esse tratamento nunca se arrependeu, apesar da queimadura na pimenta.
A CURAÇÃO DA GARGANTA
CURA DA GARGANTA, que era o principal procedimento usado nos casos de garganta inflamada, usando-se os dedos envolto em algodão  e este banhado no remédio caseiro, que era uma mistura de substâncias, entre as mais comuns, o azeite de andiroba, o óleo de copaíba, o mel de abelha, o suco de limão, o alho. Em todas as residências antigas de Abaetetuba existiam as pessoas que faziam esse procedimento e não se precisava de curandeiro. Era um procedimento um pouco traumático, pelo dedo na garganta e pela ardência e gosto intragável de alguns componentes da mistura. Os DEDOS NA GOELA, também eram usados nos casos dos engasgamentos por alimentos ou objetos engolidos por crianças, quando se usavam os dedos embebidos em azeite ou outro óleo de gosto amargo para ajudar na expulsão dos alimentos e objetos que estavam causando os engasgamentos.
OS PURGANTES
PURGANTES, que eram procedimentos em que as pessoas infestadas de vermes se submetiam ao uso dos purgantes caseiros, onde o óleo de mamona era imprescindível na mistura de substâncias como tiro-seguro comprado em farmácia, ingeridos pela boca.  O gosto era intragável e o cheiro insuportável, mas o efeito era certo, com a expulsão de dezenas de vermes e em alguns casos eram aplicados as lavagens intestinais para expulsar vermes mortos que ficaram no intestino. O antigo purgante de mamona era o terror das crianças desse tempo.
AS AFOMENTAÇÕES
Fomentar: Friccionar a pele com líquido ou unguento aquecido para fins curativos, fazer compressa quente e úmida.
As AFOMENTAÇÕES, eram procedimentos de se “afomentar”, isto é, usar remédios caseiros em forma de unguentos feitos de banhas ou óleos de várias origens misturadas com outros componentes, que depois de preparadas, eram passadas pelas partes afetadas do corpo, para curar barriga inchada, garganta inflamada, baques, entorses e luxações no organismo, e ainda eram aplicadas nas fontes para dor de cabeça, contra a dor de peito, ossos, músculos, órgãos doloridos, etc.
O CATAPLASMA
CATAPLASMA, que era usado contra a dor, e era uma mistura da goma do cuí (farinha+água) de farinha de mandioca misturado com alfazema e alecrim, que era embebido em dobras de panos que eram colocadas em cima do local da dor.
OS ESCALDA-PÉS
ESCALDA-PÉS, que eram procedimentos usados pelos curandeiros locais contra a febre, enxaqueca, males da garganta, derrame cerebral, congestão intestinal. O procedimento consistia em se colocar a bacia com água morna e colocar os pés do doente envolto em toalhas felpudas nessa água quente e ir colocando mais água quente até o suportável pela pessoa. Depois que o doente demonstrava alívio na doença o procedimento era encerrado, tendo a pessoa que obedecer às prescrições da dieta como não pegar vento, não pisar no frio durante um tempo determinado.
AS INFUSÕES
INFUSÕES,  eram procedimentos usados para preparar algum tipo de licor, através da mistura de frutos, cascas, raízes com cachaça, álcool ou conhaque, ficando um longo tempo em processo de descanso a mistura dos componentes, até surgir o tipo de infusão necessária para alguns casos de doenças ou males do organismo. Nesse caso, os princípios curativos de frutos, ervas e plantas ficavam distribuídos por igual na mistura.
Também existia a infusão de frutos ou outras partes da planta para se fabricar os licores alcóolicos, muito comuns nas casas e usados como drinks ou aperitivos em determinadas ocasiões, especialmente as ocasiões festivas.
Segundo a tradição dos remédios caseiros, as bebidas alcóolicas usadas nos preparos dos remédios, deviam envelhecer enterradas no solo durante algum tempo (se à noite, para pegar o sereno) ou ficar em repouso para assim atingir o ponto de preparo dos medicamentos.
AS DEFUMAÇÕES
DEFUMAÇÕES, que eram procedimentos de se queimar materiais como ossos, chifres de animais, incensos, plantas alfazemas, alecrins, benjoins, etc, para atrair sorte ou energia positiva e afastar os azares, ou maus espíritos, perturbações e energias negativas dos pacientes e suas residências e para combater inveja, quebrantos, maus olhados e até contra os trabalhos de feitiçarias. Esse processo era utilizado pelos simples curandeiros ribeirinhos e colonos ou, em casos mais complexos, era o pajé que praticava o ritual, soprando a fumaça desses materiais ou soprando a fumaça dos fumos de cachimbos das pajelanças.
OS BANHOS
BANHOS, eram procedimentos muito usados na medicina caseira, onde se misturavam uma série de plantas medicinais, cheirosas e místicas no preparo de banhos para a cabeça ou o corpo inteiro das pessoas acometidas com alguns tipos de problemas de saúde que exigiam o banho como terapia e esses banhos eram prescritos ou preparados pelos curandeiros. O banho frio só com água das torneiras ou chuveiros era recomendado no caso de pessoas com problemas de catarro no peito, quando esse banho servia para “soltar” esse catarro para ser expelido nas tosses. O banho da sorte era feito com ervas cheirosas e usado no dia de São João, para trazer sorte no amor, felicidade e sorte nos negócios. 
Os banhos de cheiros têm o seu grande momento místico na Quadra Junina, na véspera para o dia de São João, o 24/6, e o fator supersticioso era o elemento forte dessa crença. As ervas cheirosas eram vendidas nas feiras da cidade na véspera e dia de São João. Vide hervas e plantas cheirosas em Quadra Junina de Abaetetuba.
AS GARRAFADAS
GARRAFADAS, são preparos resultantes da infusão de vários elementos, usando  procedimentos da medicina caseira com o uso de uma série de ervas, plantas e outros elementos de origem animal ou mineral, em fórmulas mais elaboradas da mistura proporcional desses elementos curativos. Para preparar uma garrafada o curandeiro deve ter grande experiência no conhecimento e manipulação das plantas e dos outros componentes animais, como ossos, chifres, etc e minerais (pedras, sais, etc) que são triturados ou raspados e que vão servir no preparo do medicamento.
As garrafadas com elementos curativos serviam para curar todos os tipos de doenças, ou  usadas no revigoramento do organismo debilitado e como revigorantes sexuais, usando as ervas marapuama, catuaba e outros afrodisíacos. O uso de algumas garrafadas exigia,  contemporaneamente, alguns tipos de banhos curativos e outros procedimentos recomendados pelos curandeiros.
Um exemplo de garrafada muito comum para a impotência sexual
  
Foto do Viagra Natural do acervo fotográfico de João Pedro Maués 
 Vide os componentes abaixo
Marapuama, catuaba,  imbiriba, jucá, pau-pra-tudo, pau-ferro, raiz de benjaminzeiro, pênis de macaco, raspa de bico de tucano, pênis de quati, arranca-toco e guaraná, que fazem parte dessa infusão, com a pessoa tomando 3 cálices pequenos por dia.
AS GEMADAS
GEMADAS, eram misturas de sumos, sucos, raízes, frutos, sementes, folhas misturadas com ovos, e estes batidos à mão ou no liquidificador para ser misturado aos outros componentes, e que se constituíam remédios ou fortificantes para variados casos de fraquezas físicas, especialmente as curas das de doenças do peito e no revigoramento sexual. Eram vários tipos de gemada. O processo geral de uma gemada era assim: batia-se à mão ou no liquidificador a clara de ovos de galinha, até o ponto de ficar com aspecto de algodão, e colocava-se, posteriormente a gema, continuando-se com as batidas e, depois, colocavam-se as partes das plantas ou sumos, acrescentando-se um pouco de açúcar e, para as gemadas mais intragáveis, acrescentava-se pó de canela para dar sabor. Depois era só tomar o produto obtido durante vários dias, até as fraquezas desaparecerem.
·         Gemada com leite de ucuúba, usada contra as bronquites, tosses e asmas
·         Gemada de jucá, usada contra as fraquezas e para curar gripes e tosses
   Gemada de manjericão, para a tosse e peito (males do peito, como dizem os caboclos).
     Gemada de laranja, usada como fortificante e contra a anemia
     Gemada do sumo de mastruz, contra as fraquezas orgânicas
  Gemada de estoraque, usando as folhas desse vegetal, contra as fraquezas orgânicas.
     Gemada com café feito, para as fraquezas orgânicas
·         Gemada com catuaba ou marapuama, para as fraquezas físicas e sexuais

AS BENZENÇÕES
BENZEÇÕES, que eram processos de se benzer com galinhos de plantas arruda, hortelã ou outras plantas e com uso de breves orações e rituais e tocando na cabeça das pessoas afetadas, contra a inveja, o mau olhado, azares e no quebranto de crianças que dava até febre. O mau olhado afetava até as plantas e animais das famílias. Existiam também as benzedeiras para doenças como erisipela e cobrelo. Erisipela era a inflamação da perna e cobrelos eram infecções de partes do corpo, na forma de queimaduras na pele, causadas por micróbios e, se dizia, que se o afetado não curar o quanto antes o cobrelo, este avançava (invadia) o corpo, até a cabeça encontrar o rabo do cobrelo e, nesse caso, a pessoa morria, pela ação da infecção do cobrelo. A infecção por cobrelo dói e incomoda os que são vitimados pela doença. Após a benzeção do cobrelo e o uso de unguentos e ervas, as benzedeiras ou curandeiras recomendavam o uso das folhas do pião branco em chás com o açúcar maná vendido nas antigas farmácias nos dias subsequentes à benzeção. Dizem que eram poucos os curandeiros que conseguiam curar o cobrelo e este, mesmo curado, deixava sequelas permanentes na parte afetada do corpo como os formigamentos, as pequenas e incômodas dores, ferroadas internas e adormecimentos de músculos. Para cobrelos de feitiçarias, só chamando o pajé para tentar neutralizar a ação do mal. O tratamento do cobrelo envolvia, além da benzeção, o uso das pomadas e, depois, as “sulfas” (tabletes ou pó) dos farmacêuticos, Joaquim Contente e Velho Fernando. Usavam-se as benzeções nas pessoas e nas casas.
AS POÇÕES
POÇÕES, que eram os remédios fabricados artesanalmente pelos antigos curandeiros e, posteriormente, pelos primeiros donos de farmácia de Abaeté, e vendidos no comércio ou nas farmácias dessas épocas. Atualmente os curandeiros da terra ainda fabricam poções conforme a doença do interessado. As poções também são típicas dos remédios da homeopatia praticada por algumas pessoas em Abaetetuba, como foi o caso da professora Esmerina Bou-Habib, que tratava as pessoas da cidade e interior através da homeopatia e remédios caseiros.
OS UNGUENTOS
UNGUENTOS, que são remédios fabricados a partir dos óleos, banhas e azeites muito e que eram usados nas chamadas fomentações, isto é,  leves massagens com unguentos nas partes afetadas do corpo por dores ou inflamações usando essa mistura em forma pastosa. Em algumas fomentações era usado apenas o azeite de andiroba.
AS LAVAGENS INTESTINAIS
LAVAGENS INTESTINAIS, que eram procedimentos usados para limpar ou curar algumas partes internas do organismo, como os males do aparelho digestivo, do aparelho sexual e as usadas pelas parteiras em mulheres de parto e essas lavagens eram feitas de vários modos:
LAVAGENS COM REGRADORES, que eram uma espécie de vasilha improvisada de latas de folhas de flandes onde eram adaptadas uma borracha com um bico, o qual introduzido pelo ânus da pessoa, levava o preparado da mistura das plantas amor-crescido, solidonha e outras plantas da medicina caseira até o interior dos intestinos e a pessoa, pela ação dessa mistura, era obrigado a evacuar o material que estava causando as dores de barriga.
LAVAGENS INTESTINAIS, que eram processos empregados para curar doenças do intestino, inflamações da barriga e prisão-de-ventre e fazer as lavagens após o parto ou lavagens na barriga para expulsar os vermes mortos pelo uso do purgante de óleo de mamona em crianças.
LAVAGENS UTERINAS, processos realizados com um vasilhame com bicos alongados e perfurados que era introduzido no útero e despejando o chá feito com a mistura de verônica, casca de taperebázinho, casca de cajueiro, raiz do açaizeiro e outros componentes e com a finalidade de curar tumores, inflamações, corrimentos e outros problemas do aparelho sexual da mulher.
COMENTÁRIOS
O uso dos procedimentos acima enumerados da antiga medicina caseira de Abaetetuba, já não mais existe, pelo trauma e pelo constrangimento que causavam. Atualmente a presença de muitos médicos, clínicas, hospitais e uma variedade enorme de medicamentos são fatores que contribuíram para que os procedimentos da antiga medicina caseira fossem colocados em desuso. Mas os chás de ervas, raízes e plantas ainda são costumes que subsistem às modernidades.
USO DAS PLANTAS NOS REMÉDIOS CASEIROS
Nas matas das várzeas e da terra firme da
Amazônia existe um infinidade de plantas
usadas na Medicina Natural pelos nossos
ribeirinhos e curandeiros nativos
Pesquisas na Medicina Caseira

COMENTÁRIOS
O preparo dos remédios caseiros era feito com a planta inteira, sumos, óleos, azeites ou partes ou órgãos das plantas ou substâncias delas extraídas:
OS CIPÓS
CIPÓS, são longos caules ou raízes de árvores trepadeiras ou plantas (parasitas ou não, de outras plantas maiores da floresta), e que são vários tipos de cipós usados no preparo de remédios:
·         CIPÓ PUCÁ, usado no derrame, febres e gripes
    CIPÓ DE CATINGA-DE-MULATA, usado junto com outros componentes nos banhos de cheiro místicos. Aqui se manifesta a superstição como elemento envolvido nesse preparo.
    CIPÓ UÍRA, que é um cipó grosso e cheiroso usado junto com outros elementos nos banhos de cheiros medicinais e místicos. Envolve elementos das superstições.
     CIPÓ DE URUBU-CAÁ, usado contra o derrame
  CIPÓ ESCADA-DEJABUTI, cujo chá é usado no combate ás infecções do organismo.
    CIPÓ DE SUCURUJÚ, usado contra as inflamações em geral. Usa-se também as folhas com o mesmo fim.
   CIPÓ DE ABUTA, quando é socado ou ralado, serve, misturado com azeite de andiroba, na afomentação (espécie de massagens com unguentos) contra baques, dores, luxações e tumores do corpo. O cipó de abuta triturado e colocado junto com álcool serve nas inchações e reumatismos do corpo. E o cipó abuta é um dos componentes do chá-preto usado nos problemas e resguardo de parturientes.
    Cipó-curimbó, usado junto com o manjericão, a japana, o cedro e o pião-roxo para fazer banho de cheiro na cura de desenganos amorosos e contra gripe em crianças.
COMENTÁRIOS
Algumas plantas que forneciam cipós para os remédios caseiros ou para outras atividades econômicas do artesanato já estão extintas na região, devido à intensa coleta durante muitos séculos de uso e comercialização.
OS LEITES VEGETAIS
LEITES, são substâncias de cor esbranquiçadas extraídas dos vegetais e são vários tipos usados na medicina caseira:
LEITE DE LACRE, leite extraída da árvore de mesmo nome e usado contra empigem e pano-branco.
    LEITE DA ANINGA-DO-MATO, extraído dessa espécie de aninga e usado para curar ferimentos.
     LEITE DE MACACA-CIPÓ, usado nas fraturas ósseas
   LEITE DE SUCUÚBA, extraído da árvore sucuubeira e que tem as mesmas utilidades do leite de amapá, usado nos males do fígado, estômago e como fortificante para o peito e pulmões e também era usado contra a anemia. Devido a intensa coleta predatória a sucubeira já está extinta na região.
   LEITE DE CACHINGUBA, que é extraído da árvore cachingubeira, deve ser fervido porque é muito ácido, e é usado misturado ao leite para os males do intestino e contra vermes e anemia e na forma de xarope (leite de cachinguba mais mel de abelha). A árvore chachingubeira já está ficando rara nas matas locais.  Além do leite a cachingubeira fornece as folhas e cascas para outros tipos de remédios caseiros.
    LEITE DE SERINGA, que é extraído da árvore seringueira, usado para fortificar os pulmões. A árvore seringueira já está extinta na região.
   LEITE DE PIÃO, usado no tratamento dos sapinhos na boca de crianças e o pião-roxo  usado junto com o cipó-curimbó, o manjericão, a japana, o cedro serve para fazer banho de cheiro na cura de desenganos amorosos e contra gripe em crianças. Pião é um arbusto encontrado nos quintais ermos e beiras de matas e rios.
    LEITE DE JATOBÁ, usado como fortificante dos pulmões. A árvore jatobá já está extinta na região.
   LEITE DE MAÇARANDUBA, extraído da árvore maçandubeira, usado pelas pessoas em substituição ao leite de vaca no café, e nos emplastos para rasgaduras, ferimentos e entorses de músculos e ossos e como fortificante do organismo. A árvore maçaranduba além de fornecer o leite e o fruto na alimentação, também fornecia uma das melhores madeira-de-lei da região e pelo longo e predatório processo de extração do leite, frutos e madeira já está extinta na região.
   LEITE DE ANANI, extraído da árvore ananinzeiro, usado nos emplastos para rasgaduras de músculos e como fortificante de peito. O anani já está em vias de extinção na região.
    LEITE DE AMAPÁ, que é extraído da árvore amapazeiro e que é usado contra a tosse, tuberculose, fraqueza orgânica, anemia e como fortificante do peito e pulmão e contra a doença impaludismo. A árvore amapá já está extinta na região devido a coleta predatória dessa árvore.
    LEITE DE ERVA-PÃO, extraído da árvore avapãozeiro, usado como fortificante através de emplastos. Também era muito usado no preparo de visgos para pegar passarinho e no enceramento de linhas de papagaio (pipas).
    LEITE DE UCUÚBA, que era usado nas bronquites, tosse asma e contra dor de
    dente, quando aplicado com um morrão de algodão em bebido no leite.
 COMENTÁRIOS
Alguns tipos de leite extraídos de determinadas espécies de árvores já não mais são encontrados em Abaetetuba, devido o longo e predatório processo de coleta de leites dessas árvores que levou à extinção dessas espécies.
AS RAÍZES
RAÍZES, que eram retiradas de várias espécies de plantas para o preparo de vários tipos de  remédios caseiros. Algumas raízes:
RAIZ DE CAPIM-MARINHO, gramínea usada para lavar cabelos. A gramínea capim-marinho já está em vias de extinção na região.
   RAIZ DE QUEBRA-PEDRA, mato de quintais, usada nos problemas de rins e contra a doença diabete.
    RAIZ DE JURUBEBA, cujo chá era usado  contra os males do fígado e na prisão-de-ventre.
Planta jurubeba que tem várias aplicações
na Medicina Caseira
  RAIZ DE SOLIDONHA, usada nos problemas dos rins, fígado, estômago e intestinos.
    RAIZ DE CAMAPU, mato de quintal usado contra a doença apendicite
    RAIZ DE MAMOEIRO, usada como vermífugo
    RAIZ DE CAMEMBECA, usada nos problemas de fígado, estômago e intestinos.
    RAIZ DE CHICÓRIA, verdura usada nos problemas de dentição de crianças
·      RAIZ DE CENOURA,  legume usado na falta de vitaminas B1, B2 e C
·       RAIZ DE ABUTA, usada nos baques e contra tumores e pús no organismo
·       RAIZ DE MANGARATAIA, usada contra as úlceras estomacais
    RAIZ DE GAPUÍ, usada raspada na dor-de-olhos e misturada com leite ou água fervida e coada.
     RAIZ DE GENGIBRE, usada para os males da garganta e contra a gripe
   RAIZ DE APIÍ, usada para curar as tosses. A árvore apihi já está extinta na região.
    RAIZ DE PATICHULIM, usada contra a asma e em infusão com cachaça serve nos banhos cheirosos místicos. A árvore que fornece o patichulim já está em vias de extinção na região.
     RAIZ DE BORBOLETA, usada contra a doença albumina
     RAIZ DE AÇAÍ, extraída da árvore açaizeiro e usada nas lavagens uterinas
COMENTÁRIOS:
O processo de extração de raízes de árvores e arbustos das florestas, em alguns casos, é um método altamente predatório, pois para se extrair as raízes da planta tinha-se que sacrificar a planta inteira e sem o devido replantio.
OS ÓLEOS E AZEITES VEGETAIS
ÓLEOS e AZEITES vegetais, eram substâncias extraídas de determinadas plantas oleaginosas:
AZEITE DE ANDIROBA, que era uma substância que possuía inúmeras aplicações na medicina caseira, usada contra o reumatismo, as feridas e inflamações, contra os males da garganta, piolhos, caspas e uso nas entorses, baques e luxações do organismo. E o azeite de andiroba era o mais popular e o principal componente das misturas das chamadas “fomentações”, isto é, do processo de massagear as parte afetadas do organismo com unguentos feitos da mistura do azeite de andiroba e outros componentes. Era só passar esse azeite nas partes afetadas e fazer leves massageamentos e em alguns casos mais graves de machucaduras, após as massagens, cobria-se o local com tiras de panos. Outras aplicações do azeite de andiroba:
Óleo de andiroba junto com o fruto cabacinha desidratado é usado para curar tumores pelo organismo.
Óleo de andiroba junto com o sal e colocado sobre a cabeça das pessoas, faz baixar as febres.
Na forma de azeite
Azeite de andiroba em mistura com abuta e limão assado, usada nas fomentações contra baques, traumatismos, luxações, etc.
Azeite de andiroba em mistura com uma pitada de sal, buchinha de cabacinha,   usada nas fomentações para curar as inchações do corpo.
Azeite de andiroba, em mistura com banha de sarará-péua, bumbum de barata branca, alho e querosene, usado nas fomentações nos males da garganta e contra a piema.
Cura da garganta pelo dedo
O azeite de andiroba também era um dos componentes usados no processo de cura dos males da garganta através do dedo indicador, este enrolado por algodão embebido na mistura dos ingredientes caseiros.
ÓLEO DE COPAÍBA, usada nas inflamações, nos ferimentos, inflamações da garganta, contra o tétano, dores, congestões e derrames cerebrais, contra o câncer e contra doenças transmitidas pelo ar. Também era um dos componentes usados no processo de cura dos males da garganta através do dedo indicador, este enrolado por algodão embebido na mistura do óleo de copaíba, mel de abelha, alho, mistura aplicada na curação da garganta. A mesma mistura podia ser também usada tomada duas a três vezes por dia contra a inflamação e dor de garganta.
ÓLEO DE MAMONA, que era usado na dor de cabeça, febre e dor no corpo e o óleo composto de mamona na forma de purgante (misturado com outros elementos produzido pelo farmacêutico Joaquim Contente), era usado contra as vermes e era de sabor intragável e, por isso, era o terror das crianças de Abaetetetuba. Mas era, como se dizia, “tiro e queda” contra as verminoses. Também era um dos componentes usados no processo de cura dos males da garganta através do dedo indicador, este enrolado por algodão embebido na mistura dos ingredientes caseiros.
   ÓLEO CARAMELANO, na forma de purgante (produzido pelo farmacêutico Joaquim Contente), era usado nas intoxicações do fígado.
    ÓLEO DE AMÊNDOA DOCE, que era usado como unguento nas fomentações do corpo e também era um dos componentes usados no processo de cura dos males da garganta através do dedo indicador, este enrolado por algodão embebido na mistura dos ingredientes caseiros.
    ÓLEO DE CAMOMILA, que era usado como unguento nas fomentações na dor do corpo contra a dor de cabeça, febres, problemas do fígado.
Comentários:
O processo de extração de óleos ou azeites de plantas podia ser feito dos frutos, sementes ou do tronco das plantas.
O processo de extração de óleos ou azeites dos caules ou troncos de árvores era altamente predatório, levando à extinção muitas espécies de plantas fornecedoras de óleos e azeites.
A árvore andirobeira fornecia a semente de andiroba, da qual se extraía o óleo de andiroba (que embalado nos frascos ganhava outra consistência e passava a ser chamado pelo povo de azeite de andiroba), desde o período colonial, passando essa prática para os demais períodos da história do Pará e esse azeite era intensamente exportado até para fora do país e também usado na medicina caseira e como combustível dos antigos lampiões. A derrubada das matas das margens de rios e igarapés para o plantio de cana-de-açúcar e outras culturas, levou à andirobeira a situação de espécie em via de extinção na região e suas sementes que eram coletadas boiando nas águas desses rios e igarapés, hoje já se fazem escassas.
O óleo de copaíba, desde o período colonial, era extraído do tronco da árvore copaibeira e esse processo era altamente predatório, devido o coletor fazer o furo no tronco da árvore e dela extrair todo o seu óleo, não deixando aquela quantidade necessária para a sobrevivência da árvore, que acabava morrendo pela falta dessa seiva.
AS BANHAS VEGETAIS
BANHAS vegetais, são extraídas de várias espécies de frutos e sementes vegetais e com a textura pastosa.
BANHA DE PATAUÁ, extraída da palmeira patauázeiro, usada como nutriente e no preparo de comidas. A palmeira patauázeiro já está extinto na região.
   BANHA DE PUPUNHA, extraída da palmeira pupunheira, usada nos males da garganta e para amaciar e segurar cabelos rebeldes. Também era um dos componentes usados no processo de fomentações, isto é, uso de unguento feito da mistura de vários ingredientes, numa espécie de massagem da parte dolorida, inflamada ou nas luxações do corpo.
  BANHA DE CACAU, extraída do fruto do cacaueiro, usada nos lábios ressequidos, e banha usada na cura das erisipelas do corpo. Com o fim do ciclo cacaueiro do Baixo Tocantins essa árvore já se faz escassa na região.
AS CASCAS
CASCAS de Árvores e Outras Cascas Usadas Como Remédios ou Componentes dos Remédios Caseiros:
CASCA DO BUIUSSÚ, cujo sumo era usada nas dores de cabeça, dores no corpo e nos choques do organismo e quando ingerido servia para fazer forçava o vômito para as variadas formas de intoxicações e envenenamentos, inclusive venenos de cobras e de outros animais. 
    CASCA DE JATOBÁ, usada na forma de chá contra a gripe e como fortificante
  CASCA DO CARAPANÃ, extraída da árvore carapanazeiro, usada para regularizar as menstruações atrasadas e contra a doença impaludismo.
CASCA DE VERÔNICA, cujo chá é usado contra as infecções do organismo e é também usada na lavagem uterina, nos banhos higiênicos do aparelho sexual, nos problemas do parto, e misturada com água é usada contra a anemia. A verônica ainda é usada para curar corrimentos e secreções vaginais oriundas de inflamações do aparelho sexual feminino ou do útero. Em infusão na cachaça, espécie de licor, é usada na dieta das parturientes contra a perda de sangue.
    CASCA DE IPÊ-ROXO, cujo chá era usado contra coceira, inflamação, gastrite e problemas do útero.
    CASCA DE LIMÃO, extraído do fruto limão, usada contra as dores em geral
   CASCA DE LARANJA, extraída do fruto da laranjeira, usada nas dores em geral.
  CASCA DE MANGA, extraída do fruto da mangueira, usada contra as fortes e prolongadas tosses, tipo “tosse da guariba”.
  CASCA DE CARAPANAÚBA (uma variedade da árvore do carapanãnazeiro), usada contra a doença diabete e contra as amebas.
    CASCA DE PRECIOSA, usada para combater as dores e como anti-inflamatório
·      CASCA DE MUCURA-CAÁ, usada no combate ao nervosismo e insônia
    CASCA DE CASTANHA, extraída da árvore castanheira-do-pará, usada contra a úlcera do estômago e contra anemia, hepatite e desintoxicação do fígado (limpeza do fígado). As castanheiras já se fazem escassas, praticamente extintas na região.
    CASCA DE CACHINGUBA, extraído da árvore cachingubeira, usada como chá no combate às vermes intestinais, amebas e como fortificante na fraqueza do organismo.
    CASCA DO TAPEREBÁZINHO, extraída da árvore do taperebázinho, usada nas lavagens uterinas e nos ferimentos do útero. A árvore do taperebázinho já se mostra rara na região.
    CASCA DE CAJU, extraída da árvore cajueiro, usada para curar ferimentos, nos preparados purgativos e contra desinterias e nas lavagens uterinas. Como não se planta cajueiro com regularidade, este já se faz escasso na região.
    CASCA DE SUCUUBA, extraída da árvore sucuubeeira, usada nos problemas do fígado, estômago, contra a tosse, males do intestino e como fortificante do organismo. A árvore sucuubeira já está extinta na região.
    CASCA DE JUTAÍ, extraída da árvore jutaízeiro, usada fervida e após resfriada tomar como água contra a tosse. Esta árvore já se faz rara na região.
    CASCA DE PAU-D’ARCO, usado contra a coceira, males do útero, inflamações e problemas do estômago. A árvore pau-d’arco não é mais encontrada na região.
    CASCA DO ANAUERÁ, extraída da árvore anauerazeiro, usada no combate as amebas
CASCA DA QUINA, usada contra tosse, dor, febre e impaludismo. Um fato de 1746: Na aldeia de índios missionada pelos carmelitas às margens do rio Solimões, o padre Luiz João de São Paulo estava há 20 dias sofrendo com uma febre intermitente, quando começa a ser tratado com um chá de casca de pau. Oito dias depois já estava curado. O padre foi saber que o nome daquela casca era “quina”, no tupi, e que no português significa “camarada”.  A quina era um poderoso antitérmico natural e era usada na cura do impaludismo. Foram os espanhóis que difundiram essa propriedade da quina, mas os índios ticunas já a conheciam há muitos anos.
CASCA DE CEDREIRO, usada junto com as plantas japana, pau-de-angola, casca de cedro, capetiu, vassourinha e cipó-uíra, nos banhos místicos das benzedeiras e banhos místicos de São João. Cedreiros são árvores já raras na região devido o uso de sua procurada madeira.
AS BATATAS
BATATAS, que são vários tipos usados em várias doenças:
Batata do ariázinho, usada para normalizar as dentições de crianças
   Batata da pripioca, usada nas infusões cheirosas e atrativas amorosas. Aqui se manifesta o elemento supersticioso.
  Batata de apiú, usada no combate à gripes, catarro, asma, tosses fortes e  prolongadas, tipo “tosse da guariba”.
    Beterraba, usada no combate à anemia e contra a tosse
·       Batata-inglesa, usada contra as dores de cabeça e colocada nas fontes faciais
·        Batatão, usada na puruficação do sangue
·        Batata do marupázinho, usada contra as hemorróidas
  Batata da cebolinha, que fervida até o amolecimento fornecia um sumo que misturado ao açúcar e uma espécie de flor de lírio, era um xarope expectorante que, tomado pela manhã em jejum, fazia a pessoa expelir todo o catarro e muco dos pulmões.
AS FOLHAS


 Acima, pesquisador de Abaetetuba, laureado
a nível nacional e internacional, pelas suas
pesquisas com o melão-de-são-caetano, como
vermífugo e outras plantas medicinais de
Abaetetuba
FOLHAS ou plantas inteiras, que são muitas as usadas como remédios caseiros
·   VINAGREIRA branca, usada como chá e junto com a vassourinha de botão, contra a dor nos rins.
    URTIGA braba, cujas folhas espremidas em um pano, o sumo deve ser colocado no ouvido contra a dor de ouvido. A urtiga braba pode também ser usada contra a tosse e nos chás para dores reumáticas. Devido o ouvido ser um órgão delicado e não se ter a comprovação científica da ação do sumo de folhas da urtiga braba, recomendamos não realizar este processo. Aqui a informação é apenas como memória dos remédios caseiros de Abaetetuba.
CACHINGUBEIRA, que é uma árvore da floresta, onde tudo é aproveitado na medicina caseira. As folhas são usadas para se retirar manchas de açaí das mãos, a casca é usada em chás para curar verminoses e amebas e o leite que tem a mesma aplicação medicinal. Essa planta já está praticamente extinta na região.
SABUGUEIRO, que é usada contra as febres e para aflorar doenças como catapora, sarampo e outras doenças sazonais. Na forma de chá e em mistura com outros ingredientes caseiros o sabugueiro era usado para curar as dores de garganta e para fazer aflorar e secar o sarampo com maior rapidez.
SALVA, usada contra as cólicas e diarréias
SUCURIJÚ, usada contra as inflamações e infecções em geral e contra o colesterol alto e problemas do fígado.
     CUANDU, cujo chá das folhas combate a dor de cabeça
  JALAPA, contra dor, congestão, inflamações, hemorragias cerebrais ou pulmonares e também são purgativas e que, inclusive, era vendida em pó ou comprimido.
JAMACARU, cacto usado contra à tosse
    MARCELA, cujas folhas fervidas em uma panela com água durante 15 minutos, o preparo serve para combater as dores do estômago. O preparo com folhas de marcela também serve contra dores uterinas e para fortificar os cabelos.
   MASTRUZ, usada no combate às doenças como tuberculose, úlcera gástrica e intestinal, bronquites crônicas e agudas e no combate ao raquitismo.
   MALVA, usada nos problemas de fígado e intestino e a tintura é usada nas inflamações bucais e da garganta fazendo gargarejo.
    MALVA-ROSA, usada no combate às dores de estômago e intestinos e nas dores do coração e nas cicatrizações.
   MALVARISCO, as folhas são usadas como anti-inflamatórios e contra os tumores.
  MAMOEIRO, usada no combate às verminoses. Aqui os efeitos são comprováveis.
    MANGERICÃO, usada junto com gemas de ovos no preparo das “gemadas” para combater a tosse e catarro e o manjericão, usado junto com o cipó-curimbó, a japana, o cedro e o pião-roxo serve para fazer banho de cheiro na cura de desenganos amorosos e contra gripe em crianças.
     PARIRI, que junto com a verônica combate a anemia
Planta pariri
·         PATA-DE-BURRO, usada no combate ao diabetes
·         PARUÃ, usada contra a dor de cabeça
·         PAPAGAINHO, usada no combate à hemorragias
·         PLUMA, usada nas dores de estômago e intestinos, demais dores e derrames
   PANAMÁ, usada no combate as doenças tuberculose, pneumonia e gripe e problemas da garganta e feridas na boca.
    PIÃO-ROXO, cujo sumo é usado no combate à dor de dentes e usado junto com o cipó-curimbó, o manjericão, a japana, o cedro serve para fazer banho de cheiro na cura de desenganos amorosos, nos banhos de benzedeiras e contra gripe em crianças. Galhos de pião-roxo eram usadas pelas benzedeiras de Abaetetuba na cura de quebrantos, cobrelos e outros males em seus rituais de benzeções e no fim das benzeções o ramo já estava totalmente mocho pela carga de energia recebida.
   PIÃO-BRANCO, usada na limpeza e doenças de pele e, na forma de chá das folhas com o açúcar maná,  na cura de cobrelos, como auxiliar das pomadas e sulfas.
    ORIZA, cujas folhas quando colocadas numa bacia com água para pegar sol por um dia, em preparo, serve nos banhos de crianças aborrecidas e para amansá-las. Usa-se também a oriza no combate a asma e nos banhos cheirosos.
    PAU-DE-MOQUÉM, cujo preparo das folhas junto com água colocada ao por um dia, serve para amansar criancinhas brabas através de banhos do preparo.
·        QUINA, árvore com propriedades anti-térmicas.
    MARAPUAMA, é usada como estimulante, excitante sexual, como afrodisíaco e na impotência sexual. Aqui se manifesta o elemento supersticioso.
    CATUABA, que tem o mesmo efeito da marapuama.
   ALFAZEMA, usada como calmante, contra a insônia e dor, e era usada contra a dor intestinal e nas defumações, junto com o alecrim, incenso e benjoim contra os azares e panemeiras das casas.
   ABUTA, cujas folhas são usadas na normalização das fraturas ósseas, contra infecções por baques e luxações, contra tumores. Seu uso também é feito junto com outras ervas e plantas como a cabacinha, óleo de andiroba contra as infecções e nas fomentações dos unguentos nos processos de fomentações contra baques, luxações, etc..
  ARRUDA, suas folhas quando trituradas em álcool, e o preparado quando colocado e batido levemente na cabeça, serve contra derrames e na forma de chá que tem o mesmo efeito contra o derrame. Também serve nas dores de cabeça e na rouquidão mastigar com uma pitada de sal. Arruda é uma das plantas com tradição supersticiosa de Abaetetuba e era usada também nos processos de benzeções. Porém seus efeitos medicinais contra algumas doenças são observáveis.
    CARMILITANA, usada no combate a dor
·      CAPIM-MARINHO, usado no combate às vermes, contra pressão alta
O capim-marinho, é usado como chá e como
planta medicinal em Abaetetuba/Pa
·         CATINGA-DE-MULATA, usada no combate às cólicas uterina
·         CUITÃ, usada no combate à hemorragias
   CANELA, cujas folhas em preparo de chá por 15 minutos, este chá pode ser usado nas pessoas que sofrem de pressão baixa.
  CORAMINA, cujas folhas fervidas em água durante 20 minutos, e quando resfriadas, deve ser usada contra a dor do coração. A coramina pode  também ser usada nos problemas de falta de ar nos pulmões.
     CARUCA-CAÁ, usada no combate à tosse
·         PIRARUCU, cujo chá das folhas é usado contra as infecções do organismo
   CANAFLISTO, que junto com a planta quebra-pedra é usada nas infecções urinárias.
   CAMOMILA, usada nos problemas estomacais, como anti-diarreico e na forma de chá é usada contra o nervosismo e sustos.
     ERVA-DOCE, cujo chá é usado contra gases e dores intestinais
   ERVA-CIDREIRA, usada nos problemas de insônia, como tranquilizante, nas vertigens, nos espasmos, histerismos e contra tosses espasmódicas e na forma de chá como calmante de nervosismo. Os efeitos da erva-cidreira como medicamentosas são comprováveis.
     ESTORAQUE, usada contra à tosse
  EUCALIPTO, usada como antisséptico, antifebril, anticatarral e contra as bronquites. O autor do Blog se curou ou amenizou uma rinite alérgica em uma mistura de plantas onde se usava o eucalipto, a cabacinha, a tintura de iodo.
    LIMOEIRO,  cuja folhas são usadas no combate a gripe, dor de cabeça, tosses e junto com aspirina é usada contra a febre.
     LARANJEIRA, cujo chá das folhas é usado contra a tosse.
   LARANJEIRA-DA-TERRA, cujo chá das folhas é usado contra dor de cabeça. Essa planta já está em extinção na região.
     FEJOEIRO, cujo chá das folhas é usado contra a dor de cabeça.
    HORTELÃ, usada na dentição de crianças e no combate as dores de estômago e intestino, nas palpitações e tremores nervosos, contra o vômito, cólicas uterinas, contra o catarro e como purgativo. Era uma das plantas místicas usadas nos processos das benzeções.
BARBATIMÃO, usada como anti-hemorrágico, no combate às secreções uretrais e vaginais.
  QUEBRA-PEDRA, cujo chá fervido durante 10 minutos serve frio contra as pedras no rim.  Também esse chá pode ser usado contra as infecções do organismo.
     ERVA-DE-CHUMBO, cujo chá é usado contra as infecções do organismo.
    BABOSA, cujas folhas são usadas em preparo contra a gastrite e quando retirada a massa das folhas, podem ser usada contra eczema e erisipela.
BOLDO, cujas folhas fervidas em uma panela com água por 15 minutos, o preparo serve nas dores de fígado, estômago e contra a hepatite e, além disso, ela estimula a secreção da bílis e melhora a digestão dos alimentos e o chá do boldo é usado para ressaca alcóolica e até usado como controlador do apetite se tomado pela manhã. Os efeitos curativos do boldo são observáveis.
ALGODOEIRO, cujas folhas são usadas junto com o mel de abelha contra tosse, gripe e contra hemorragia, regras menstruais e pelas mulheres é usado para induzir a produção do leite materno.
AMOR-CRESCIDO, cujo chá das folhas é usado contra as infecções do organismo e junto com as plantas babosa e capim-marinho é usado para fortalecer o couro cabeludo. Na forma de chá com a erva solidonha e outras plantas medicinais era usada no processo da lavagem intestinal, chá que era colocado em um recipiente com bico de borracha o qual era empurrado pelo ânus da pessoa até a altura da barriga para fazer as curas ou provocar as evacuações intestinais.
LÁGRIMAS DE NOSSA SENHORA, cujo chá das folhas é usado contra as infecções do organismo.
   ANADOR, que é usada nas dores em geral e quando as folhas são fervidas durante 3 minutos, serve para a dor do fígado.
    ALHO, que era um dos mais populares produtos usados na medicina caseira, cujas folhas e cabeças têm múltiplas funções:
Como chás contra gripes, resfriados, fortalecimento do organismo
Contra as doenças cardíacas, intoxicações alimentares, como vermífugo, tratamento de bronquites crônicas, pressão alta, reumatismo, gota e no emagrecimento.
O alho misturado com o azeite de andiroba, banha de sarará-péua, bumbum de barata branca e querosene formava uma espécie de unguento que era usado no preparo das afomentações, nos processo de massagens contra os males da garganta e contra a piema.
As folhas do alho também são usadas na forma de chás contra a tosse.
REGO, plantas do mato, cujas folhas em forma de chá são usadas contra tosse e num preparado de seu sumo, junto com as folhas de língua-de-vaca e uma pitada de sal, combate o mijacão (frieira do pé).
CARRAPICHO,  cujo chá das folhas é usado contra as infecções do organismo.
·        ANANÁS, cujo chá das folhas é usado contra as infecções do organismo.
     CHAMA, cujas folhas quando fervidas durante 10 minutos, servem para combater a diarreia de crianças na 1ª dentição.
     CAATINGA, cujas folhas fervidas durante 5 minutos, que serve para curar dor de fígado.
    SUCURIJÚ-CIPÓ, cujas folhas fervidas durante 3 minutos, o preparado serve para a dor de barriga.
    APIÍ, cujas folhas fervidas em água durante 4 minutos e que serve para normalizar o problema de quem tem o peito aberto e contra tosse e asma.
    CRAVO, cujas folhas  trituradas em álcool, em preparado que colocado na cabeça das pessoas para combater a dor de cabeça.
     HORTELÃ, cujas folhas levadas ao fogo junto com a água em preparado, que quando frio, serve para combater a diarreia, dores e contra os vermes.
   TERRAMICINA, cujas folhas fervidas em água, o preparo resfriado deve ser tomado contra a dor de barriga.
     MANJERONA, usada contra o derrame e dor
    ALECRIM, usada contra a dor, febre, nervosismo e nas defumações, junto com alfazema, incenso e benjoim contra os azares e panemeiras (má sorte) nas casas.
     CUITININGA, que é uma planta que cresce nas beiradas de poços d’água  escavados e ribanceiras de rios e cujas folhas espremidas com as mãos produzem um sumo espumante que é usado contra as queimaduras e a cura é tão eficaz que não deixa nem as marcas das queimaduras.
GOIABEIRA, cujo chá das folhas tenras serve contra a diarréia.
SOLIDONHA, erva que era misturada ao chá do amor-crescido, junto com outras ervas, formava mistura que era colocada em um recipiente com bico de borracha e empurrado pelo ânus da pessoa até a altura da barriga e lá fazer as devidas curas ou provocar as evacuações intestinais ou lavagens.
LÍNGUA-DE-VACA, planta silvestre, cujo sumo em mistura com o sumo de rego e uma pitada de sal, é usado contra o mijacão (frieira dos pés).
JAPANA, que usada junto com o cipó-curimbó, o manjericão, o cedro, pau-de-angola e o pião-roxo, casca de cedro,capetiu, vassourinha nos banhos de cheiro na cura de desenganos amorosos, quebrantos e cura de cobrelos e outros males e contra gripe em crianças.
CAPETIU, que junto com a casca de cedreiro, japana, pau-de-angola, vassourinha e cipó-uíra era usado nos banhos das benzedeiras contra o quebranto e cura de cobrelos e outros males e como banho místico de São João e na cura de gripe de crianças.
AS FLORES, FRUTOS, SEMENTES E CAROÇOS
FRUTOS, são vários os usados nos remédios caseiros:
CASTANHA-DO-PARÁ, cujas sementes frescas que eram usadas como fortificante do organismo e contra a falta de visão. A castanha-do-pará já está em vias de extinção em Abaetetuba.
    BANANA SÃO TOMÉ, usada contra os cogumelos intestinais. Essa variedade de banana já está rara no município.
    LARANJA-DA-TERRA, usada contra a doença albumina. A laranjeira-da-terra já está extinta na região.
    CUMARU, usada contra as dores de ouvido. A palmeira cumaru já está extinta na região.
CUIA verde, que serve na cura da ruptura escrotal (hérnia do escroto), com o seguinte procedimento: o fruto verde (cuia verde) deve ser retirado da árvore cuieira, e nele se faz um buraco pequeno em uma das extremidades da cuia e parte de sua massa interna. Depois é só colocar o saco escrotal afetado no buraco da cuia verde por alguns momentos e depois retirar o escroto e tampar a cuia verde e coloca-la ao sol. À medida que a cuia vai secando, o escroto do homem vai voltando ao normal, até a cura completa da ruptura (hérnia).
LIMÃO, cujo suco é usado contra gripes, nas infecções do organismo, como purificador do sangue e no emagrecimento. A mistura de água e suco de limão,  junto com o remédio aspirina dissolvida faz efeito altamente benéfico contra as gripes, pelo menos com o autor do Blog. O chá das folhas do limoeiro, junto com o remédio dipirona combate as febres. O limão assado, junto com o azeite de andiroba e outros componentes era muito usado no processo das fomentações, isto é, massagear as partes afetadas do corpo por baques, luxações, com unguentos. Recomendamos consultar o médico para esses procedimentos. Também o limão era um dos componentes usados no processo de cura dos males da garganta através do dedo indicador, este enrolado por algodão embebido na mistura dos ingredientes caseiros.
JUCÁ, usado contra as gripes. A árvore jucá já está extinta na região.
   ÁGUA DE COCO, que serve para banhar a cabeça para fortificar o cérebro e como fornecedora de nutrientes para a desidratação.
   LARANJA, cujo suco junto com ovos crus e pó de canela batidos no liquidificador sevem no revigoramento do organismo.
     MAMÃO, para normalizar problemas intestinais
·         MARACUJÁ, cujo suco é usado como calmante para o nervosismo.
   SABUGO, do fruto da planta trepadeira cabacinha, junto com o azeite de andiroba, uma pitada de sal, formava um unguento usado nos processos das fomentações, isto é, espécie de massageamento para curar as inchações do corpo.
FLORES na medicina caseira
Na forma de chás
Flor de ROSEIRA, usada como calmante e na insônia
·        Flor do MAMOEIRO-MACHO, usada contra o colesterol
·         Flor de CRAVO-DE-DEFUNTO, usada no combate ao derrame cerebral
·         Flor da LARANJEIRA, usada como calmante
SEMENTES e CAROÇOS, usadas como remédios caseiros
  Sementes de MALVARISCO, que são usadas como anti-inflamatório e nos tumores do organismo.
    Sementes de JUCÁ, usadas contra a tuberculose, pneumonia e gripe
·       Sementes de JERIMUM, usadas contra vermes e cogumelos intestinais
  Sementes de ERVA-DOCE, usadas contra a dor e no combate à diabetes e cogumelos intestinais.
     Sementes de ALPISTE, usadas contra pressão alta
   Semente da FAVEIRA (fava), cujo sumo raspado que é misturado com uma pitada de sal e aplicado nas doenças de peles leves, como: impigem, titinga ou quaisquer manchas através de fungos.
    Caroços de AÇAÍ, que quando queimados nos fogareiros serviam para espantar os mosquitos carapanãs e os mosquitos transmissores da malária e outras doenças. 
   Pedaços de caroço de ABACATE quando colocado em um litro de vinho, deixando em infusão durante 4 dias, depois era só bebe um cálice antes de dormir, para baixar o colesterol do sangue.
     BROTOS, usados como remédios caseiros:
Broto da planta IMBAUBEIRA BRANCA, cujo chá do grelo era usado contra úlceras, tosse, bronquite, diarréia e dor de estômago.
     Broto de GOIABEIRA, cujo chá é usado contra a diarréia
     Palmito do AÇAÍ, usado contra a hemorragia de golpes e contra a diarreia
Comentários
OUTROS PRODUTOS VEGETAIS OU DE ORIGEM VEGETAL
·        VINAGRE, usado no asseio vaginal, especialmente contra as coceiras
    CARVÃO VEGETAL, que é usado nas dores de estômago, mau hálito, contra as aftas, azia, acidez, contra a diarreia e como antisséptico intestinal. 
    OURIÇO DE CASTANHA DO PARÁ, que cheio de água e colocado no sereno por alguns dias, que era bebida em substituição a água comum, usada contra doenças como hepatite, anemia.
   Sabugo de CABACINHA, que misturada ao azeite de andiroba serve contra a doença sinusite.
    MEL DE CANA-DE-AÇÚCAR (melaço), usado no combate a tosse e asma e para os problemas do fígado.
CAFÉ, que era largamente usado como remédio caseiro de várias formas:
O café amargo, que combate a dor de cabeça, as fraquezas do organismo e é revitalizante no trabalho e estudos.
O café moído era usado nos ponches com cachaça (vide ponche de cachaça) contra a gripe, nos choques de cabeça (vide choque), nos emplastos caseiros.
O café misturado com manteiga, tutano de boi, gema de ovo de pata, era usado nos problemas das fraquezas do organismo.
A borra do café, que depois de fervida, servia para banhar as pernas dos bebês, para que estes pudessem logo andar sozinhos e que também servia para tirar o pitiú de peixes das mãos e para tirar a gordura dos vasilhames.
Usa-se o café bem fino e com açúcar contra a pressão alta e o café bem forte e sem açúcar contra a pressão baixa.
Usa-se a mistura de café feito misturado com suco de limão para a dor de barriga.
Nos envenenamentos caseiros, usa-se o café para ajudar na desintoxicação do veneno.
Gemada de café preparado contra as fraquezas do organismo
O remédio Cibalena com café era usado contra as dores de cabeça e outras dores do organismo.
As folhas ou grãos verdes de café servem no preparo de remédios contra a anemia e as folhas secas servem nos banhos quentes contra as inchações do organismo.
O café misturado à pimenta-do-reino sacada serve para combater a tosse.
PAU-DE-ANGOLA, que junto com casca de cedreiro, japana, pau-de-angola, casca de cedro, capetiu, vassourinha e cipó-uíra nos banhos místicos das benzedeiras e banhos místicos de São João e contra a gripe de criança.
TABACO EM ROLO, produto que misturado com urina, era usado na cura do mijacão (frieira dos pés) e tabaco moído era usado para apretar (tornar preto) o cabelo.
Lascas ou pedaços de ACAPU, retirada da madeira que vem da árvore acapuzeiro, e fervendo-se uma lasca pequena, tomando-se essa espécie de chá, que cura a hemorragia.
   Pedaços ou casca de CEDRO, que usado junto com o cipó-curimbó, pau-de-angola, capetiu, vassourinha, cipó-uíra, o manjericão, a japana e o pião-roxo serve para fazer banho de cheiro na cura de desenganos amorosos, quebrantos e contra gripe em crianças.
Comentários
Sabemos que o café contém a substância cafeína que é realmente um estimulante orgânico.
A madeira acapu, junto com a madeira pau-amarelo, eram as madeiras mais utilizadas como esteios, caibros, ripões, tábuas nas construções de casas pela sua durabilidade. Agora está praticamente extinto na região.
ALGODÃO, que envolvido em um palito de madeira servia para tirar água do ouvido, após os banhos de igarapés e praias. Verdade, mas fazendo-se com cuidado a manipulação do palito envolvido em algodão. Porém não recomendamos essa operação,  pois palito e algodão podem estar contaminados com fungos ou bactérias que podem causar problemas no ouvido.
USO DOS ANIMAIS NOS REMÉDIOS CASEIROS
O uso de animais nos remédios caseiros podia atingir o animal inteiro, suas partes ou órgãos ou substâncias deles extraídos. Muitas espécies de animais, da fauna de Abaetetuba, devido à intensa caça para extração de suas carnes, couros, penas, banhas, óleos, órgãos e outras substâncias, já estão extintos na região e outros correm sérios riscos de extinção.
Os JACARÉS das águas do Baixo Tocantins já foram extintos pela caça indiscriminada.
A ANTA já é um animal extinto na região.
Somos contra a caçada da MUCURA por motivos ambientais.
Somos contra a matança das JIBÓIAS por motivos ambientais.
As TARTARUGAS já estão extintas na região pela caça indiscriminada  e pelo uso de sua carne como iguaria na culinária local e na fabricação de manteiga.
De alguns animais usavam-se apenas os produtos por eles elaborados, como mel de abelha e outros elementos e substâncias extraídas da casa de abelha e que são ainda muito usados na medicina caseira de Abaetetuba:
O MEL DE ABELHA
MEL DE ABELHA, usada nos problemas da garganta e peito e misturado com o óleo de mamona era usado contra a tosse da guariba (forte e prolongada tosse que fazia as pessoas emitirem uma espécie de som parecido com o uivo do macaco guariba). Também era um dos componentes usados no processo de cura dos males da garganta através do dedo indicador, este enrolado por algodão embebido na mistura dos ingredientes caseiros.
O mel de abelha tem efeito comprovado nos problemas de garganta e misturado com outros componentes. Muitos ribeirinhos o recomendam seu uso no combate a asma.
OVOS, de galinha são largamente utilizados nas gemadas de Abaetetuba para os problemas das fraquezas físicas e mentais e problemas do peito. Ovos de codorna  são usados como estimulantes sexuais.
BANHAS, GORDURAS E ÓLEOS ANIMAIS
Óleo do peixe PORAQUÊ, que junto com o sabugo da cabacinha é usado contra o reumatismo.
   Banha de PORCO, que sem sal é usada contra as inflamações e inchações do corpo e contra as picadas de insetos e animais venenosos e ainda era usada como fixador de cabelo.
  Banha de JACARÉ, que é usada nas doenças da garganta, nos derrames e congestões.
    Banha de ANTA, usada, junto com o café e a folha da planta sabugueiro, contra as dores.
   Banha de MUCURA (gambá da Amazônia), usada para amenizar as dores da gestação.
Banha da cobra JIBÓIA, usada contra a dor, problemas de garganta, contra a asma e nas inflamações e para os supersticiosos, é usada como atrativo de namorados.
Banha de CARNEIRO, que é usada para fazer a criança a aprender andar mais rapidamente.
Banha de GALINHA CAIPIRA, que é usada nos problemas da garganta, como rejuvenescedor do couro cabeludo e contra as inchações do corpo. Também era um dos componentes usados no processo das afomentações, isto é, o uso de uma espécie de unguento feito da mistura dos ingredientes caseiros, quando se massageava a parte dolorida, inchada ou nas luxações do corpo.
·    Banha de PATO, usada nos problemas da garganta e na congestão e para fazer aflorar infecções incubadas. A banha de pato preto era um dos componentes usados no processo das fomentações, isto é, do uso de um unguento resultante da mistura de vários ingredientes caseiros, fazendo-se o massageamento das partes doloridas, inchadas ou das luxações do corpo.
Banha de TARTARUGA, que era usada nos problemas da garganta, contra as torceduras dos músculos, dos nervos atrofiados em acidentes, nas infecções de pele como acne, cravo e ainda como rejuvenescedor da pele e ainda serve para aflorar infecções incubadas quando usadas como alimentos, na fabricação de manteiga, cosméticos e outras aplicações.
Banha do peixe ARRAIA, usada no combate a asma
   Banha de SARARÁ-PÉUA (espécie de crustáceo das várzeas e ribanceiras de igarapés,  com garras como as do caranguejo), usada na mistura com azeite de andiroba, bumbum de barata branca, alho e querosene, que formava um tipo de unguento usado nas fomentações, isto é, espécie de massagens contra os males da garganta e contra a piema.
MANTEIGA, vindo da tartaruga e de outras fontes, que era usada em alguns preparos de remédios caseiros, como, junto com casa de caba (vespa) de barro, esta moída e misturada á manteiga, em preparado usado para untar o inchaço da papeira (caxumba) e fazê-la logo desaparecer.
O mesmo processo e a mesma finalidade tem a mistura de papel ou jornal queimado, em preparado que serve na cura da papeira. Esses procedimentos têm dieta: não pular, gritar, correr, fazer esforços e nem fazer sexo, porque a padeira pode descer para os seios das mulheres ou escroto dos homens, tornando-se mais difícil a cura da papeira.
FEL DOS ANIMAIS
O FEL é uma substância extraída da vesícula ou fígado de animais e que têm sabor amargo característico:
Fel de PACA, usado nos problemas de garganta, no derrame, inchaços, baques e ajudar na extração de corpos estranhos do organismo. O animal paca já se faz raro na região do Baixo Tocantins e somos contra sua caçada por motivos ambientais.
     Fel de BOI, usado contra febre
    Fel de BOTO, usado contra a asma. O mamífero aquático boto tem algumas de suas partes e órgãos usados como remédios caseiros, nas superstições, lendas e mitos de Abaetetuba.
    Além do fel, outras partes ou órgãos do boto são usados nas superstições e lendas de Abaetetuba:
Olho de BOTO, usado na superstição como atrativo de namorados
   Vagina de BOTA (boto fêmea), usada pelas mulheres nas superstições como atrativo de namorados.
Comentários Sobre o Boto
A captura, caçada ou matança do BOTO se deve a inúmeras lendas que correm nas localidades ribeirinhas e do mito de que o boto também é prejudicial porque compete com o homem nas pescarias e que, na forma humana, emprenha as mulheres ribeirinhas.
Como ambientalistas somos terminantemente contra o uso de partes ou órgãos e substâncias extraídas do animal boto, devido atentar contra a existência desse animal nas águas do Baixo Tocantins e Marajó ou qualquer lugar onde ele ainda exista. Na região de Abaeté as espécies de botos já se fazem raras.
Aqui colocamos o uso dos órgãos do boto apenas como memórias e lendas de Abaetetuba.
PELO da barba de PACA, que torrada combate a asma. Aqui se observa elementos da superstição. Ainda bem que paca é um mamífero que concebe várias ninhadas de filhotes durante o ano, caso contrário já estaria extinta, pela caça indiscriminada.
TURU, verme de alto valor nutritivo encontrado nos paus velhos dos igarapés, que também combate as desnutrições, fraquezas e contra a tuberculose e é afrodisíaco. Sabemos que o verme turú contém proteínas e cálcio, que são importantes para o organismo. O Turu pode ser consumido cru ou cozido.
RASPA DE UNHA humana, que misturada na bebida dos alcóolatras, ajuda-os a deixar as bebidas alcóolicas. Também pedacinhos de unhas, fios de cabelo e excrementos humanos eram usados nos despachos de curandeiros nas tentativas de cura de doenças. Aqui se observa elementos das superstições e absurdos medicamentosos e não recomendamos o seu uso pela falta de informações científicas.
O BOI
O BOI era um animal criado para fornecer alimentos frescos ou salgados para a alimentação do povo de Abaetetuba, porém algumas partes e substâncias de seu corpo eram largamente utilizadas na medicina caseira do município:
Chifre de boi, cuja defumação serve para espantar mau-olhado. Aqui se observa elementos das superstições.
   Tutano de boi, que tem múltiplas aplicações: fortalecimento dos músculos, no crescimento das crianças, e que, misturado com a banha do cacau, fortalece o couro cabeludo e evita queda dos cabelos.

PÉ DE COELHO, que serve para atrair sorte. O uso do pé-de-coelho é elemento altamente supersticioso.
BOCA do inseto GRILO, que quando encostada na verruga do corpo, segurando-se o inseto de asas abertas, fazia em poucos dias a verruga cair. Esta receita tem elementos da superstição.
RABO da cobra JIBÓIA, usado nas superstições para atrair sorte. Nos antigos óleos, como na mutamba, se usavam pequenos pedaços de rabo de jibóia para chamar mulher. Vê-se que essas indicações eram frutos das superstições de Abaetetuba e que ajuda na extinção desse animal.
CARANGUEJOS, cuja água onde eram fervidos que era usada como remédio caseiro para o fortalecimento da estrutura óssea de crianças, quando banhadas da cintura para baixo. Aqui tem elementos da superstição, porém o caranguejo e sua casca possuem cálcio e proteínas. E os caranguejos comestíveis não são da região de Abaetetuba e sim da Região do Salgado Paraense.
Sopa de CABEÇAS DE CAMARÃO (o cefalotórax não comestível), que serve para abrir a memória e facilitar nos estudos. Devido às fezes da cabeça do camarão contererem o elemento potássio, os efeitos são observáveis.
Cascas de OVOS DE GALINHA e outras aves, que servem como adubo natural das plantas de quintais e jardins. Os efeitos do uso de cascas de aves (contém muito cálcio) são observáveis junto às plantas de jardins e quintais.
AS FEZES, ÓRGÃOS INTERNOS E SANGUE DOS ANIMAIS
FEZES, órgãos internos, sangue de animais que servem como alimentos de peixes e adubos de plantas e que faziam as plantas e peixes  ficarem mais saudáveis e saborosos como alimentos:
Fezes de BOI, que servem como adubo de plantas e alimentos de peixes.
Fezes de GALINHAS, que servem como adubos de plantas e alimentos de peixes.
Fezes de CACHORRO, que combate a doença sarampo. É superstição.
Sangue de BOI e outros animais que servem como alimentos de peixes. Os peixes carataís, pirararas e outros da orla de Abaetetuba, comem sangue de boi.
Órgãos internos de BOIS e outros animais, que servem como alimentos de peixes. Órgãos internos de bois que são jogados nos igarapés de Abaetetuba atraem animais como sucuris, gaviões, urubus e outros.
Fezes de PAPAGAIO, usadas contra a catarata. pega as fezes, põe pra secar e, na forma de pó, passar sobre os olhos por uma semana. Pedimos cautela às pessoas, pois as fezes podem estar contaminadas.
URINA E SALIVA HUMANA
A urina e saliva humana eram usadas na medicina caseira e nas superstições de Abaetetuba:
URINA, substância que era muito usada nos preparos de remédios caseiros, contra dor de cabeça, dor nos olhos, dor de ouvido, dor de dente e contra a tosse.
Urina na dor de cabeça: quando amarrava-se a cabeça com um pano, que a seguir devia ser encharcado de urina.
Urina na dor dos olhos: quando colocava-se um pouco de urina dentro de cada olho, banhando-se o doente em seguida e deixar a água do banho secar por si, mesmo sem uso de toalhas. Muita superstição.
Urina na dor de ouvido: quando colocava-se a urina fresca e ainda quente dentro de cada ouvido.
Urina contra a tosse: quando bebia-se a urina para passar a tosse
Urina na dor de dente: quando colocava-se urina no dente doído para passar a dor de dente.
Urina contra calos das mãos e pés: quando urinava-se ou jogava-se urina ainda fresca  sobre os calos e estes começavam a secar.
A urina em mistura com o tabaco: formava  um preparado, que embebido em algodão ou pano, que era colocado envolvendo os pés, na cura do mijacão (frieira dos pés).
Urina de mulher: serve como fermento para escurecer os fundos de cuias do artesanato e para uso doméstico.
Urina humana: que serve para banhar o rosto, que fazia a limpeza do mesmo.
Tomar (ingerir) urina como água para ficar bonito. Superstição.
SALIVA, que colocado na garganta, serve para combater o soluço de bebês. É superstição.
Comentários
Não recomendamos o uso de urina e saliva humana como remédio e na limpeza de pele, pelas impurezas e substâncias químicas nocivas que possuem.
PENAS DE GALINHA, que eram usadas para se tirar água do ouvido, após os banhos de igarapés e praias. Verdade, mas fazendo-se com cuidado a manipulação da pena.
LARVAS DO TUCUMÃ (larvas do fruto apodrecido do tucumã), que são usadas para fortificar o organismo. Sabemos que toda larva de insetos contém muitas proteínas, mas deve-se ter o cuidado de lavar essas larvas.
BUNDAS DE INSETOS
BUNDA DE SAÚVA (abdome da saúva tanajura), que é usada como alimento e para fortificar o organismo. Sabemos que a bunda de saúva (formiga) contém muitas proteínas e são muitos gostosas quando fritas na manteiga ou óleo de cozinha.
BUNDA DE BARATA BRANCA, que misturada com azeite de andiroba, banha de sarará-péua (espécie de crustáceo das ribanceiras de rios e várzeas), alho e querosene, formava uma espécie de unguento usado nas fomentações, isto é, espécies de massagens usadas contra os males da garganta e contra a piema. Aqui existem elementos das superstições de Abaeté, mas sabemos que certas baratas são altamente nutritivas, pelas proteínas que contém. No remédio apontado, não recomendamos, devido o querosene ser substância tóxica e corrosiva.
OSTRAS, URUÁS E CARAMUJOS
São animais do grupo dos invertebrados e com fortes esqueletos externos, cujas carnes são usadas como alimentos e como remédios caseiros:
OSTRAS, cujas carnes são revigorantes sexuais e afrodisíacas. Faltam comprovações científicas, mas são excelentes como alimentos nutritivos. As ostras de Abaetetuba nem são tão abundantes e as nossas espécies são encontradas em praias da região.
URUÁS e CARAMUJOS, que são duas espécies de caracóis locais, cujo caldo do cozimento era usado como remédio contra o enjoo na gravidez. Sabemos que a carne de uruás e caramujos são comestíveis, e altamente gostosos, porém não existem criatórios desses animais e os mesmos são recolhidos nas matas de várzeas e beiradas de igarapés.
PRODUTOS QUÍMICOS, MINERAIS E VEGETAIS USADOS COMO REMÉDIOS CASEIROS
PREGO, que quando levado ao fogo, até o ponto de brasa, e apagando-o mergulhado em um copo com água, bebendo-se essa água, que serve para curar hemorragias.
VELA DE CERA, que é usada para curar a unha encravada, quando pega-se a vela acesa e joga-se os pingos de cera quente sobre a infecção da unha, deixando-a por alguns minutos, que o processo cura a infecção.
CACHAÇA, em infusão com casca de verônica, cipó-uíra, alho que servia no combate a anemia.
SAL AMARGO, produto adquirido nas antigas farmácias de Abaetetuba, que era usado para purificar o sangue. Não recomendamos por ser um produto químico e pela falta de comprovação científica.
SAL comum (cloreto de sódio), que era muito usado na medicina caseira de Abaetetuba:
Sal usado contra a tosse, colocando-se pitadas na língua
Sal contra a pressão alta, colocando-se pitadas na língua
Sal, junto com o azeite de andiroba, buchinha de cabacinha, era usado nas fomentações, isto é, leves massagens com unguentos desse preparo, para curar as inchações do corpo.
Sal que era misturado num preparo com sumo das folhas de rego e língua-de-vaca, que era usado como remédio contra o mijacão (frieira nos pés).
Água com pitadas de sal, usado  contra sustos, desmaios, enjôos
Soro caseiro, pitadas de sal e açúcar usado nas desidratações causada pelo vômito e desinteria de crianças.
Comentário
O uso do sal, misturado com o açúcar, tem alguma fundamentação científica quando usado como soro caseiro. Nos outros casos, evitar o uso excessivo do sal, devido a alta da pressão sanguínea.
SEBO de Holanda, que é usado contra as inflamações e para romper tumores do corpo.
ESCAMA do peixe pirapema, usado o preparo no combate a asma
REMÉDIOS USADOS SEM PRESCRIÇÃO MÉDICA
Logo que as antigas farmácias se instalaram em Abaetetuba os habitantes recorriam aos farmacêuticos para a prescrição dos medicamentos para as variadas doenças de então. Com a implantação de mais farmácia o povo já não recorria aos farmacêuticos e médicos existentes, devido o uso da automedicação, onde as informações dos medicamentos eram repassadas de pessoa para pessoa. Assim, alguns remédios ficaram conhecidos pelo método da auto-medicação, usada pela maioria dos habitantes do município e, em muitos casos, usados juntos com elementos da medicina caseira:
Suquepá, remédio para os males do fígado.
Viramide, usando contra a hepatite
Capivarol, usada como fortificante
Pílula do Norte, remédio usado como fortificante
Vigoron, remédio usado pela população como fortificante.
Cibalena misturado ao café que era usada contra as dores de cabeça e a própria cibalena era usada contra os problemas de nervosismo.
DIPIRONA, que em mistura com a escama de pirapema, mel de abelha, banha de arraia, banha de jibóia em um preparado por trituração e junto com água para ser usada às colheradas durante o dia por portadores de asma.
Sulfa de azina, pó usado contra as infecções do corpo.
Elixir paregórico, usado contra as diarreias.
Emulsão de Scotty, usada como fortificante pela população.
Biotônico Fontoura, usado como fortificante pelas crianças como fortificante e no crescimento.
Comentários
Recomendamos, por falta de comprovação científica, não usar algumas misturas acima, pela sua nocividade ao organismo. Aqui as colocamos apenas como memória dos remédios caseiros de Abaetetuba.
QUEROSENE E CREOLINA:
QUEROSENE e CREOLINA,  eram dois produtos químicos muito usados na medicina caseira de Abaetetuba. O querosene quando em mistura com o azeite de andiroba, banha de sarará-péua, bumbum de barata branca e alho, formava uma espécie de unguento usado nas chamadas fomentações, isto é, massagens contra os males da garganta e contra a piema. Um dos usos da creolina era contra a dor de dente, quando pegava-se um pequeno pedaço de algodão, embebia na creolina e colocava no dente cariado para curar a dor de dente.
Comentários
Não recomendamos o uso de querosene e creolina como remédio pelas suas altas toxidades contra o organismo.
CASA DE CABA caseiras,  (vespas), que são feitas de barro, que quando moídas e misturadas com manteiga, serve como remédio para untar no inchaço da papeira (caxumba), onde a pessoa logo fica logo curada dessa doença.
PONCHE de cachaça, usado na cura da gripe, que é feito com um copo de cachaça em mistura com uma pitada de pó de café, algumas pimentas-do-reino socadas e alguns pingos do caldo de limão. Mexer bem essa mistura e coloca-se uma brasa acesa de carvão dentro da mistura para esquentá-la. Depois de algum tempo, retira-se o carvão e toma-se o ponche ainda quente. A mistura cura a gripe e deixa o doente embriagado.
PROBLEMAS DA GRAVIDEZ, PARTO, RESGUARDO E DOENÇAS DO APARELHO SEXUAL
Problemas no nascimento das crianças: quando a criança na hora do parto coloca apenas um pé para fora, na hora do nascimento, arranha-se esse pezinho para que a criança sinta cócegas e assim coloque outro pé para fora.
Dores do Parto, para que as mulheres sintam dor e possam fazer o parto, faz-se um preparado com os seguintes ingredientes: mamona misturada com café amargo (2 ou 3 pingos), chá de canela e gota salvador. Aí as mulheres começam a sentir as dores do parto e ter os seus filhos normalmente.
RESGUARDO, que é o período de dieta e repouso da mulher após o parto:
·         Período de duração do resguardo do parto de meninos: 45 dias
·         Período de duração do resguardo do parto de meninas: 43 dias
Abstenções no parto
·        De comida no período de resguardo: carnes de porco, capivara, peixes reimosos, carnes de caças e caranguejo, camarão, pato, pirarucu e se abster de frutas oleosas, de pratos como vatapá, caruru, maniçoba, feijoada e bebidas alcóolicas.
·        No período de resguardo se abster das relações sexuais
     Remédios e outras recomendações para o período do resguardo e gravidez:
Alguns medicamentos de farmácias para os problemas do parto, gravidez e resguardo, eram, muitas vezes, usados fora das prescrições neles contidos e  também  eram usados juntos com os medicamentos naturais. Ou eram usados só os remédios e procedimentos caseiros. Alguns desses remédios:
·         ÁGUA INGLESA, para tomar e colocar na cabeça
     CERVEJA PRETA, serve contra os enjoos
   ELIXIR DE CAMAPUl (frutinha amazônica), contra a anemia da gravidez e parto.
     ELIXIR DE INHAME, combate as coceiras, especialmente nas gestantes
     PÍLULAS DE VIGORON, combate a anemia e é revitalizante
     BANHOS ESPECIAIS no resguardo, preparados com ervas apropriadas
     EVITAR apanhar sol, sereno, chuvas e ficar no quarto no período de resguardo.
·  COMIDA apropriada para o resguardo: cosido e canja de galinha caipira e mingaus leves.
LAVAGENS UTERINAS
    Além desses problemas, as parteiras de Abaetetuba ainda faziam os trabalhos das lavagens uterinas, através de um chá da mistura de verônica, casca de taperebázinho, casca de cajueiro, raiz de açaizeiro nos problemas de tumores, inflamações, corrimentos e fazendo-se o uso de um vasilhame dotado de um longo bico com várias perfurações que era introduzido pelo útero da mulher.
PESSOAS, ENTIDADES E CRENÇAS QUE TRABALHAM COM REMÉDIOS CASEIROS EM ABAETETUBA
A Medicina Popular de Abaetetuba está intimamente ligada às superstições, às lendas e mitos  e ao sobrenatural de algumas crenças vindas dos antigos povos nativos da região e dos cultos afro-brasileiros, estes também fortemente influenciados com elementos da antiga religiosidade popular católica. Todo o conhecimento dessa medicina caseira e acumulado no decorrer dos séculos acabou por criar as figuras populares das parteiras, dos puxadores, das benzedeiras, dos curandeiros caboclos e de outras figuras que no passado se encarregavam de resolver os problemas de doenças e males que acometiam às populações locais.
E nos rituais da atual pajelança e das crenças afro-brasileiras são os conhecimentos da medicina popular elementos importantes das suas cerimônias místicas de cura. E ainda é observável, por todos os recantos do município, a solicitações de trabalhos de dessas pessoas que ainda fazem os trabalhos dessa antiga medicina popular.
Convém salientar que geralmente a função de parteira ou benzedeira ou puxadeira podia ser exercida por uma mesma pessoa da comunidade que detinha os conhecimentos da manipulação e uso correto dos remédios e procedimentos da medicina caseira ou popular. Vejamos algumas crenças e figuras populares da medicina caseira de Abaetetuba com alguns aspectos e procedimentos de seus trabalhos:
A PAJELANÇA ORIGINAL E O PAJÉ
A pajelança é uma forma de magia nativa da Amazônia, atuando sobre qualquer elemento vivo e mantendo estreita relação com os demais reinos da natureza: mineral, vegetal e animal. É praticada por curandeiros (principalmente pelos pajés da Amazônia), com base no curandeirismo indígena.
Pelas suas ações, o pajé tenta estabelecer contato com outras formas de existência através de comunicações com entidades sobrenaturais, procurando restabelecer o equilíbrio perdido entre a natureza e a mente. Esse processo envolve curas, exorcismos, e outros atos com objetivos diversos.
A característica predominante desse curandeirismo é a crença de que os seres humanos são partes integrantes de um sistema ordenado em que toda a doença é consequência de alguma desarmonia em relação à ordem cósmica. Com grande frequência, a doença também é interpretada como castigo por algum comportamento imoral.
Na antiga pajelança era somente o pajé o detentor de segredos que eram guardados à sete chaves  haja vista não ter interesse em que profanos venham a desfrutar dessas dádivas. Ela se subdivide em duas correntes:
Pajelança de Conta Branca, que atua em favor do bem, curando principalmente doenças físicas e mentais e resolvendo problemas do cotidiano da comunidade.
Pajelança de Conta Negra, que atua em favor do mal e visava facilitar a vitória na guerra com outras tribos ou a disputa de guerreiros para se tornar líderes e que servia também para matar ou adoecer uma vítima, sendo que em alguns casos é usada para dificílimos trabalhos de cura.
A pajelança só devia deve ser usada por quem realmente a dominasse, manipulando o universo de magias que a constituem.
A Força da Cura na Pajelança
A maior finalidade da pajelança estava na força de cura ou no resultado que produzia a partir de dois fatores básicos:
A Força Mental, que é um dos instrumentos fundamentais de um pajé, que fornece os meios para que os poderes do pajé possa se manifestar dos elementos oriundos da natureza: comer determinadas frutas ou raízes, ingerir certas bebidas sagradas através de fórmulas secretas, etc.
A Sincronia de Elementos, que era o poder do pajé invocar os elementos das diversas dimensões através de cânticos e imagens. O próprio maracá, quando sacudido cadencialmente, cria uma estrutura energética que permite a abertura do ritual.
Elementos Auxiliares da Pajelança
Um elemento indispensável na pajelança é o maracá, que era confeccionado durante a iniciação, sendo, portanto, sagrado para ele. Em alguns casos o maracá era passado de pai para filho; ou ainda, o "escolhido" é induzido a achá-lo mediante as regras impostas pelo ritual de iniciação.
Outro elemento importante era o tauari, que é uma espécie de charuto natural, semi-oco, que ajuda o pajé a defumar o local ou a pessoa em questão. O charuto, com sua fumaça cheirosa tem a finalidade de perfumar o ambiente e criar uma atmosfera sobrenatural, para facilitar os contatos que o pajé queira fazer. 
O maracá e o charuto possuem significados sagrados para o pajé, mas existem outros elementos importantes usados ao longo dos trabalhos desenvolvidos como as danças, os cantos que facilitam as vibrações e o uso de chás ou substâncias alucinógenas vegetais, que possibilitam o transe ou transcedência ao pajé, onde as entidades são invocadas e são sempre espíritos da natureza, de animais ou de antepassados mortos.
Essa era a verdadeira pajelança que era restrita a uma minoria que ostentava os segredos das poções mágicas para rejuvenescer, curar, matar, provocar viagens astrais e outras grandes iniciações. Atualmente, existem poucos pajés desse tipo no Brasil. Podemos dizer que essa era a forma original de se praticar a pajelança na Amazônia e, em consequência, no Baixo Tocantins.
O Curandeirismo Após a Pajelança Original
Com a extinção das tribos indígenas da Região do Baixo Tocantins foram-se junto a Pajelança original e os seus pajés. Mas grande parte da cultura desses antigos povos, inclusive o curandeirismo, foi assimilada pelas populações caboclas que começaram a surgir a partir do século 17 e que avançaram para os séculos seguintes, onde também assimilaram os conhecimentos da cultura do negro africano (Umbanda e Candomblé) e a do próprio elemento colonizador com os conhecimentos médicos que trouxeram em sua bagagem cultural (a benzenção e o uso de produtos aromatizados). Todo esse conhecimento acumulado foi incluído naquilo que podemos chamar de Medicina Caseira ou Medicina Popular de Abaetetuba, agora exercida por uma gama de pessoas que recebiam as denominações segundo o trabalho que faziam, todos, naturalmente, praticando o curandeirismo popular através de variadas denominações e  procedimentos.
PAJELANÇA CABOCLA
A Pajelança Cabocla é uma manifestação de um conjunto de crenças e práticas religiosas muito difundidas na Amazônia Brasileira e que possui suas especificidades, tanto com relação as sua origens, técnicas rituais e papeis sociais de seus praticantes, que a diferencia da Pajelança Indígena original. A Pajelança Cabocla é uma manifestação religiosa sincrética que possui tanto características mágicas quanto religiosas, já que utiliza a Natureza, no caso as ervas e elementos animais, para curar doenças, assim como sua ação prática busca um efeito através da incorporação de entidades no pajé que receita remédios para sanar doenças e males de membros da população e é coletiva,  por se tratar de um grupo, no qual o pajé é o individuo que zela pelo corpo e espírito de dos componentes do grupo. Essa pajelança inclui os antigos rituais de origem indígena, mesclados a elementos do espiritismo, catolicismo e dos cultos afro-brasileiro.  Essa pajelança envolve cantos e danças para invocar os espíritos e a finalidade é obter a cura de doenças físicas e mentais e proporcionar aos seus participantes a sorte nos negócios. 
O CURANDEIRO E PAJÉ EM ABAETETUBA
Curandeiro, não é propriamente pajé nem macumbeiro, nem trabalha com espíritos, nem entidades sobrenaturais, mas pessoa comum da comunidade que dominam os conhecimentos da medicina natural, e que usa os remédios caseiros na cura e tratamento de variadas doenças e outros males que podem acometer as pessoas, inclusive contra os trabalhos maléficos das feitiçarias, quebrantos, maus olhados, etc. O curandeiro pode simplesmente indicar ou receitar os remédios caseiros, ou pode prepará-los e vendê-los em troca de seus serviços. Em Abaetetuba existem pessoas que vivem do comércio dos remédios caseiros preparados ou “encomendados” para os diferentes tipos de doenças ou demais males que afetam as pessoas e que executam os antigos procedimentos da medicina caseira, como puxadores.
Na Abaetetuba antiga era comum se recorrer ao pajé e ao curandeiro de terreiros na cura de doenças ou nas práticas de se afastar os malefícios do corpo das pessoas ou trazer a sorte nos negócios, no amor e outras práticas do curandeirismo esotérico, isto é, aquele que recorre aos espíritos, deuses ou entidades míticas dessas práticas. Existiam muitas tendas, casas, centros esotéricos, terreiros, curandeiros, pajés que trabalhavam no tratamento de pessoas acometidas de doenças tidas como malefícios e também que buscavam a sorte nos negócios, amor ou outros mistérios das ciências ocultas que envolviam a vida das pessoas.
A respeito da pajelança em Abaeté, esta era uma forma de atuação através de elementos mágicos ou sobrenaturais, típico das populações ribeirinhas ou das colônias e até mesmo na população de Abaetetuba. Esse mesmo fenômeno como que afetava toda a população nativa da Amazônia e não é exclusividade de Abaetetuba. Era como que uma estreita relação dos curandeiros ou pajés com os reinos da natureza, com base em elementos da crença indígena. Com suas ações o curandeiro tenta estabelecer contato com outras formas de existência ou entidades sobrenaturais procurando soluções não só na prática do curandeirismo, como que para restabelecer o equilíbrio perdido entre os seres da natureza. Aí entram as curas, os exorcismos e outros atos com objetivos variados. Os segredos da pajelança ou curandeirismo ficavam restritos somente aos pajés e seus íntimos seguidores e atuando em favor do bem, como curando doenças, como ajudando nos problemas da comunidade e usando sua magia contra os supostos males que afligia suas comunidades, como facilitar as vitórias nas guerras, ou matar ou fazer adoecer determinadas vítimas prejudiciais às tribos indígenas. O uso das ervas ou outros elementos naturais, as poções ou venenos e rituais complexos, envolvendo também o canto e as danças.
Toda essa forma popular de curandeirismo apresentava ou ainda apresenta (por que não desapareceu) as influências de outras magias, seitas, crenças que se misturam à cultura folclórica, crendices, mitos e superstições de povos diversos, especialmente dos antigos escravos africanos que vieram para o Brasil.
Como elemento marcante da antiga pajelança era o uso dos maracás com suas pontas negras ou brancas e que atua como que um elemento de chamamento natural para a abertura dos trabalhos de invocações dos espíritos ou deuses indígenas. O maracá, o tauari (charuto oco) são objetos sagrados que ajudavam o pajé a preparar o ambiente, criando uma atmosfera de pura magia ritualística.
O pajé conhecia a fundo os benefícios curativos de ervas, plantas e outros elementos da natureza (claro, com a ajuda das entidades sobrenaturais e espíritos) e a cura através da medicina natural foi incorporada pela cultura das localidades ribeirinhas, das colônias e até na cidade de Abaetetuba.
As Rezadeiras e Benzedeiras
Além dos curandeiros existiam os “puxadores” de juntas e músculos, as “benzedeiras” e as necessárias “parteiras”, que no fundo também usavam as técnicas dos curandeiros, puxadores, benzedeiras. Todos se valiam das rezas, das defumações, dos chás, das poções e choques, das benzeções, dos óleos e unguentos para tratar todos os tipos de doenças e outros problemas de saúde entre os membros  das populações. Todas essas pessoas eram membros comuns do povo.
As Rezadeiras e Benzedeiras trazem a forte influência do catolicismo popular e fazem parte de uma espécie de pajelança ou curandeirismo popular também, que pouco uso fazem do misticismo e magia da pajelança original, porém que trazem no sangue a propensão ao curandeirismo de seus antepassados e fortementes influenciadas pelas crendices e superstições mais antigas e no atendimento de situações mais amenas do dia-a-dia das populações nativa no tocante às doenças e males dessas populações. As curandeiras, benzedeiras e rezadeiras eram pessoas com dons especiais nas comunidades e que se utilizavam muito de ervas e rezas para curar ou quebrar o encanto do quebranto, mal olhado e livrar dos azares e má sorte na vida e negócios que em seus rituais suavam muito, lagrimavam, fumavam cachimbos ou charutos nas sessões e ficavam exaustas ao final de cada ritual de cura, que podiam ser vários dependendo da doença. No fianl das sessões de cura recomendavam o banho cheiroso ao meio dia, durante alguns dias. Com o advento dos farmacêuticos e médicos, os serviços dessas pessoas eram solicitadas quando os tratamentos médicos e remédios de farmácias não curavam determinados males e cada comunidade de Abaetetuba possuía a sua rezadeira ou benzedeira que ainda são requisitadas para muitas situações de determinadas doenças e elas só atuam até perto do anoitecer.
A PUXAÇÃO
As rezadeiras, benzedeiras, curandeiros, puxadores, desmentidores, todos, de um modo ou outro exercem a função de puxar partes do corpo, como músculos, pele, ossos, ligamentos, órgãos internos, cabelo etc. Puxar é normalizar aquilo que estaria deslocado no organismo.
A Puxação na Gravidez
Porém, a puxação na gravidez era a mais conhecida das puxações e consistiam nas massagens abdominais realizadas nas gestantes para  aliviar indisposições, informar a posição e sexo do feto, a previsão da data e local do parto, e informar a mulher para a maternidade e a gestação dentro dos padrões locais de reprodução nas famílias ribeirinhas, e o bem-estar e saúde dessas pessoas. Em outras palavras podemos dizer que as puxadoras na gravidez eram verdadeiras enfermeiras, que cuidavam dos problemas antes do parto, no parto e depois do parto e ainda atuavam como curandeiras nos males das gestantes, partos e bebês.
E a puxação, consistia em massagem abdominal realizada sobretudo em gestantes, que é o principal destes serviços.
O que se observa é que estas parteiras oferecem um serviço pré-natal muito próprio e adequado às necessidades específicas das mulheres das zonas ribeirinhas e das colônias de Abaeté e região.
Parteira
Em muitas regiões do mundo e do Brasil, o cuidado com a saúde acontece fora dos âmbitos institucionais formais era o que acontecia em Abaetetuba quando não existiam nem postos de saúde e médicos que pudessem trabalhar nos problemas de gravidez e parto e também essas pessoas trabalhavam como puxadoras na gravidez, especificada acima.
Em geral,as parteiras são mulheres com mais de 50 anos, casadas (ou viúvas) e matriarcas de muitos filhos e netos, que aprenderam e se notabilizaram em “aparar crianças” nos partos.
Em Abaetetuba, tanto na cidade como pelas regiões das Ilhas e Estradas de Abaetetuba, muitas parteiras se notabilizaram por esses serviços. Na cidade de Abaetetuba, as parteiras Zita Margalho e Maroca Lima, foram contemporâneas e apararam a maioria das crianças nascidas até a década de 1960.
DESMENTIDURA
Desmentidura, que significa junta machucada devido a quedas ou baques, ossos deslocados, destroncados ou batidos. Os "puxadores" é que "consertam" a desmentidura. Em Abaetetuba existiam muitas pessoas que se dedicavam a cuidar das Desmentiduras, ossos fora do lugar e outros problemas relacionados aos choques e baques em ossos e problemas musculares. O mais famoso de Abaetetuba era chamado de Desmonta Gato, tal sua perícia em cuidar desses malefícios do organismo.
AS CRENÇAS DE ORIGEM AFRO-BRASILEIRA
A Macumba e o Candomblé são frutos das crenças dos povos africanos que vieram para o Brasil e que também receberam influências de várias fontes como o catolicismo, a pajelança e outras formas de magias. Aliás, cada povo africano que veio para o Brasil, trouxe em sua bagagem cultural a sua crença e língua, que no Brasil foram misturadas com elementos locais, resultando em diferentes tipos de crenças afro-brasileiras (porque a cultura e crença brasileira também influenciaram a macumba e o candomblé dos diferentes ritos dessas crenças).
Os cultos que trabalham com magia branca, ou magia do bem, recorrem ao auxílio, à manifestação de Espíritos de santos católicos, Pretos-Velhos e Preta-Velhas que em geral foram escravos no Brasil, Caboclos, Indígenas, Cafuzos, Curibocas e trabalhadores da colônia e do império como boiadeiros, mineiros, navegantes de rios e mares e sábios do oriente e da Europa.
Os rituais  da Umbanda também são destinados a arrumar a vida amorosa, as finanças e a saúde dos adeptos e frequentadores dos terreiros de Umbanda.
AS LINHAS DA UMBANDA
São várias as linhas de culto adotadas pela Umbanda e cada linha contendo as suas respectivas Falanges e, como exemplo a LINHA DE OXALÁ, a LINHA DE IEMANJÁ e outras linhas que possuem seus adeptos em Abaetetuba.
Porém, rejeitando a africanidade, os umbandistas não consideram Orixás como deuses, mas como "vibrações originais" emanadas da Consciência Suprema, Deus, naqueles tempos remotos da criação do Universo e do Planeta Terra, negam sua raiz africana e vão buscar a etimologia no Egito e na Índia.
O CANDOMBLÉ
Candomblé é uma crença derivada do animismo africano onde se cultuam os orixás, Voduns, Nkisis dependendo da nação. Sendo de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil.
Cada nação africana tem como base o culto a um único orixá. A junção dos cultos é um fenômeno brasileiro em decorrência da importação de escravos onde, agrupados nas senzalas nomeavam um zelador de santo também conhecido como babalorixá no caso dos homens e iyalorixá no caso das mulheres.
A religião que tem por base a anima (alma) da Natureza, sendo, portanto, chamada de anímica, foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos da África, juntamente com seus Orixás/Nkisis/Voduns, sua cultura, e seus idiomas, entre 1549 e 1888.
Embora confinado originalmente à população de negros escravizados, inicialmente nas senzalas, quilombos e terreiros, proibido pela igreja católica, e criminalizado mesmo por alguns governos, o candomblé prosperou nos quatro séculos, e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888.
O Candomblé não deve ser confundido com Umbanda e outras religiões afro-brasileiras com similar origem. Como a religião se tornou semi-independente em regiões diferentes do país, entre grupos étnicos diferentes evoluíram diversas "divisões" ou nações, que se distinguem entre si principalmente pelo conjunto de divindades veneradas, o atabaque (música) e a língua sagrada usada nos rituais. Os rituais do Candomblé, tem na sua crença a arrumação da vida amorosa, das finanças e da saúde dos adeptos e frequentadores dos seus terreiros e tendas, por meio das incorporações dos espíritos e entidades dessa crença.
O aparecimento dos santos católicos nos rituais do Candomblé, vem do fato de que no tempo das senzalas os negros para poderem cultuar seus orixás usaram como camuflagem um altar com imagens de santos católicos, tendo por baixo os assentamentos escondidos, e segundo alguns pesquisadores este sincretismo já havia começado na África, induzida pelos próprios missionários para facilitar a conversão.
Todo o conhecimento já citado das ervas, plantas e demais elementos da medicina caseira, assim como comida, bebida e outros elementos tem a sua presença nos rituais da Umbanda e do Candomblé e não esquecer das batida dos atabaques, quando são entoados os cânticos que invocam a linha de trabalho do dia. O sacerdote é o primeiro a incorporar o espírito ou entidade requisitada e, depois que tiver recebido sua entidade, comandará os trabalhos, conduzindo a incorporação dos demais. Após todos incorporarem, ocorre o atendimento ao público, de acordo com suas necessidades.
Um genuíno terreiro de Candomblé de Angola (brasileiro) envolve sacrifícios de animais para as oferendas, as bebidas alcóolicas, as incorporações dos orixás, o som dos tambores com danças e cantorias, as palavras que ecoam em Kimbundo (uma das línguas africanas usadas nos rituais), a pedra sagrada do terreiro e ainda com a presença de uma série de alimentos (mukuria, isto é, comida de santo) e ervas medicinais.
Milho branco cozido, azeite, mel, farinha, dendê, cuscuz, sal, ervas medicinais e dinheiro na forma de metal que são jogados sobre corpos de aves sacrificadas no ritual ou despejados nos atabaques consagrados.
Candomblé significa dança e a pessoa deve estar vestido de branco, que é a cor da mitologia Bantu.
Nos terreiros de Candomblé de Abaetetuba, segundo os seguidores dessa crença, somente se utiliza a linha branca de algumas nações do Candomblé e, a Umbanda propriamente dita, nos rituais.
ALGUNS NOMES DA MEDICINA CASEIRA DE ABAETETUBA
. Zita Margalho, famosa parteira de Abaeté, cujos trabalhos eram solicitados pelos próprios médicos da Fundação SESP e que trabalhou durante 37 anos, cuidando das mulheres grávidas, nos trabalhos de parto, “aparando” os bebês de Abaeté e assistindo as parturientes com os seus remédios caseiros.
Maroca Lima, famosa parteira de Abaeté, contemporânea da parteira Zita Margalho e que fazia os mesmos serviços citados em Zita Margalho.
. Joaquim Mendes Contente, nascido a 18/11/1900 e falecido a 21/4/1984, que apesar de formado farmacêutico em Belém recorria às ervas e outros elementos da medicina caseira no preparo de seus vinhos, chás, poções, pomadas, etc e foi famoso farmacêutico de Abaeté, dono da “Phamárcia Indiana”, que atendia nos trabalhos ambulatoriais, laboratoriais, e que fabricava os remédios dessa antiga farmácia na forma de poções, pomadas, .verminoses de crianças e albumina das mulheres de parto e resguardo. Aprofundou-se no conhecimento das ervas e plantas curativas, óleos e sementes medicinais, cascas de árvores: sucuba, cachinguba, casca doce, casca preciosa, etc. produzia suas famosas poções e outros preparados. Chegou à Abaeté em 1923, farmácia indiana era consultório médico,  farmácia, laboratório de análises clínicas, ambulatório para curativos, suturas e fabricação de remédios e poções que Contente inventava, fabricando seus próprios medicamentos.

A formação do seu Contente era farmácia, química ou biologia, ou tudo era a mesma coisa. Mas o que ele era mesmo, de fato, era um curandeiro moderno, que curava com suas alquimias e a musiquinha cantarolada entredentes. As fórmulas do Seu Contente (magnésia estomática, sulfa etc).
. Prof. Esmerina Nunes Ferreira Bou-Habib, que além de sua função de professora primária atendia com os remédios caseiros que recomendava.
. Velho Fernando, vindo de outra região do Brasil, antigo farmacêutico, estudioso e dono de farmácia, contemporâneo do farmacêutico Joaquim Mendes Contente.
. Dona Benedita do Curuperé
. Dr. Folha, curandeiro da localidade Ipixuna que só atua receitando preparados feitos por ele mesmo e para cada tipo de doenças, cujos serviços são muito solicitados.
. Dona Ita Neri, famosa parteira na localidade Rio Guajarázinho, que depois mudou para a cidade.
. Dona Tereza da localidade Pirocaba, que ainda atua como benzedeira
. Dona Boneca (Maria da Conceição Paixão), benzedeira da localidade Pirocaba
. Carlos Pereira, era benzedor na localidade Pirocaba
. Raimundo Belo, benzedor da localidade Pirocaba
. Dona Guíta, benzedeira na localidade Caripetuba
. Velha Mariquinha, parteira na localidade Caripetuba
. Dona Sara, parteira na Caripetuba
. Velha Luzia de Sarges, parteira no Caripetuba
. Diquinha, filha do Sr. Maurício, parteira na localidade Rio Xingu
. Velha Dulcinda de Jesus, filha do velho Manoel de Jesus parteira e curandeira na localidade Rio Arumanduba, que era especialista nos cataplasma e chás de plantas curativas. O cataplasma era usado no chamado “dobra do sarampo”, isto é, quando o sarampo que pensava-se desaparecido, que voltava causando muita dor, agonia e desespero e o cataplasma era colocado por cima da “espinha” (coluna vertebral) do doente, fazendo cessar o incômodo.
. Velho Manoel de Jesus, pai da Velha Dulcinda, curandeiro na localidade Rio Arumanduba.
. Raimundinho, curandeiro na localidade Rio Arumanduba.
Um fato: Um jovem muito ativo, de bom porte e boa aparência e saúde na localidade Arumanduba, numa das antigas “festas da mucura” que se realizavam após as rezas dos santos, se divertiu até a madrugada numa dessas festas onde se encontrava também uma jovem que queria namorá-lo. Indo para casa na madrugada dormiu e acordou sentindo fortíssimas dores em um dos pés, dores que não passavam e levavam ao desespero ao ponto de rolar de dor pelo chão. Como nenhum remédio fazia cessar a dor, chamaram o curandeiro Raimundinho e este vaticinou: “É feitiço” e em seguida preparou um cigarro de um pacote de fumo que usava, acendeu o cigarro, fez as cerimônias do ritual e soprando a fumaça no fé afetado pelas dores, e levantou, abaixou novamente e tirou com a boca uma um pedaço de tronco de piaçava do pé do rapaz e, pelo mesmo processo, tirou mais dois pedaços do lugar que não estava inflamado, nem ferido e só amortecido. E disse: “Vai dar pus”. Ensinou as ervas e o procedimento de uso após o ritual, e o rapaz ficou bom das dores.
Outro caso
O mesmo caso de dor no pé de uma pessoa do mesmo Rio Arumanduba, profissional competente na arte da carpintaria naval, que foi chamado para substituir outro mestre que deveria fazer o serviço de carpintaria em um barco na ilha do Marajó. Após o trabalho, já na volta para o Arumanduba, começou a sentir dores atrozes em um dos pés. Após as tentativas infrutíferas de cura das dores, seus familiares mandaram chamar o pajé da localidade. O dito pajé, no ritual do maracá e do bater pés, conseguiu retirar do pé afetado uma grande casca de aranha que estava dentro do pé da pessoa com as dores. Quem contou os casos afirma que os fatos são verdadeiros e não há como chamá-lo de fantasioso pela sua posição e respeitabilidade como uma pessoa de fé e honra no seio de sua comunidade.
. Velha Maria Dias, parteira e curandeira na localidade Rio Arumanduba
. Lázaro, era pajé e curandeiro, puxador na localidade Rio Urubuéua
. Velho Norbeto Barreto, era curandeiro e puxador na localidade Rio Arumanduba e vinha à cidade quando solicitado.
. Velho Marcelino Pacheco, que era puxador na cidade de Abaetetuba
. Desmonta Gato, famoso puxador na cidade de Abaetetuba, era um dos melhores e deixou essa função para um de seus filhos.
. Velha Ninfa, parteira e puxadeira na localidade Rio Paramajó
. Dona Jovem/Jovelina, parteira e puxadeira de junta da localidade Rio Caripetuba e que depois mudou para a cidade.
. Tia Dica:

Caro Ademir Heleno Araujo Rocha em minha infancia e juventude em Abaetetuba, havia uma senhora, Sra. Dica, que também era muito boa com a manipulação e o conhecimento de ervas, todo dia ela ia em casa, também sabia extrair andiroba, e fazia seus preparos para afomentação de garganta, morava lá pras brenhas do Algodoal, conhecida por seu nariz bem chatinho mesmo, puxava as folhas de palmeira para forrar o quarador de roupas, andava com seu cachimbo inseperável e benzia quebranto das criancinhas, andava tipo cigana com saião comprido, colares, descalça e com um ramo de arruda na orelha, para afastar os mau espíritos, adorava contar estórias pra criançada e também era muito maltratada por algumas dessas crianças pela rua, uma simpatia. È uma figura emblemática e muito bondosa que reside nas minhas recordações Tia Dica! Colaboração de Ana Maria Quaresma.

Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA