segunda-feira, 30 de março de 2015

Palavra de Vida de Abril 2015



Palavra de Vida de Abril 2015
Fonte: www.focolare.org                    
29 Março 2015
Para todos eu me fiz tudo (1Cor 9,22)

Na primeira carta à comunidade de Corinto, Paulo se vê obrigado a defender-se da pouca consideração de alguns cristãos, que colocam em dúvida ou negam a sua identidade de apóstolo. Paulo reivindica a pleno direito esse título, por ter “visto Jesus” (cf 9,1), e explica o porquê de sua atitude humilde e simples, que renuncia a todo tipo de retribuição pelo seu trabalho. Embora tendo a autoridade e os direitos de apóstolo, a sua estratégia evangélica é fazer-se “servo de todos”.

Ele se solidariza com todo tipo de pessoas, até tornar-se uma delas, com o objetivo de levar-lhes a novidade do Evangelho. Cinco vezes repete “me fiz” um com o outro: por amor aos judeus, submete-se à lei de Moisés, embora sabendo não estar mais vinculado a ela; com os que não seguem essa lei, também ele vive como se não a tivesse, embora possuindo uma lei exigente: o próprio Jesus; com os fracos (talvez cristãos escrupulosos, incertos de comer ou não carnes imoladas aos ídolos) ele se faz fraco, embora sendo “forte” e livre: faz-se “tudo a todos”.

Age assim para “ganhar” todos a Cristo, para “salvar” a qualquer custo ao menos alguns. Não tem expectativas triunfalistas: bem sabe que só alguns corresponderão; mas ama a todos seguindo o exemplo do Senhor, que veio “para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mt 20,28). Quem se fez um conosco mais do que Jesus? Ele que era Deus, “despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano” (Fil 2,7).

“Para todos eu me fiz tudo”.

Chiara Lubich fez dessa palavra um dos princípios da sua “arte de amar”, sintetizada no “fazer-se um”, expressão da diplomacia da caridade: «Quando alguém chora, devemos chorar com ele. E se sorri, alegrar-nos com ele. Assim a cruz é dividida e carregada por muitos ombros, a alegria é multiplicada e compartilhada por muitos corações. [...] “Fazer-se um” com o próximo, por amor de Jesus, com o amor de Jesus, até que o próximo, docemente ferido pelo amor de Deus em nós, queira “fazer-se um” conosco, em comunhão recíproca de ajudas, de ideais, de projetos, de afetos. [...] Essa é a diplomacia da caridade, que tem da diplomacia comum muitas expressões e manifestações, e que por isso não diz tudo o que poderia dizer, porque o irmão não gostaria, nem seria do agrado de Deus; sabe esperar, sabe falar, atingir a meta. Divina diplomacia do Verbo que se fez carne para nos divinizar»1.

Com fina pedagogia, Chiara identifica também os obstáculos no “fazer-se um”: «Às vezes são as distrações, outras vezes o mau desejo de dizer apressadamente a nossa ideia, de dar o nosso conselho de modo inoportuno. Em outras ocasiões estamos poucos dispostos a nos “fazermos um” com o próximo, porque consideramos que ele não compreende o nosso amor, ou somos freados por outros julgamentos relativos a ele. Em certos casos somos impedidos devido a um recôndito interesse de conquista-lo à nossa causa». Por isso «é realmente necessário eliminar ou pospor tudo o que preenche a nossa mente e o nosso coração para nos “fazermos um” com os outros»2. Trata-se, portanto, de um amor contínuo e infatigável, perseverante e desinteressado que, por sua vez, confia-se no amor maior e mais potente de Deus.

São indicações preciosas: escutar sinceramente o outro, entendê-lo no seu âmago, identificando-se com o que ele vive e sente, compartilhando preocupações e alegrias.

“Para todos eu me fiz tudo”.

Não se trata de renunciar às próprias convicções, como se aprovássemos sem crítica qualquer atitude do outro, ou não tivéssemos uma proposta de vida e um pensamento nosso. Tendo amado até o ponto de “tornar-se o outro”, pode-se e deve-se expressar a própria ideia, como profundo dom de amor, mesmo que seja doloroso. “Fazer-se um” não é fraqueza, busca de uma convivência tranquila e pacífica, mas expressão de uma pessoa livre que se coloca a serviço com coragem e determinação.

Também é importante lembrar a razão do fazer-se um: “… para certamente salvar alguns”, para entrar no outro, fazer emergir o bem e a verdade que já se encontram nele, queimar eventuais erros e depositar ali a semente do Evangelho. É uma missão que não aceita limites nem desculpas, porque confiada a nós pelo próprio Deus, a ser cumprida “certamente”, com aquela criatividade que só pode vir do amor.

Também a política e o comércio têm interesse pelas pessoas, querem conhecer seus pensamentos, captar suas exigências e necessidades, mas sempre com a intenção de tirar proveito. Enquanto que “a diplomacia divina”, como diz ainda Chiara, «tem isso de grande e de seu, talvez de somente seu: ela é movida pelo bem do outro, portanto é isenta de qualquer sombra de egoísmo»3.

Portanto, fazer-se um para ajudar todos a crescer no amor, contribuindo assim na realização da fraternidade universal, o sonho de Deus para a humanidade, a causa pela qual Jesus deu a sua vida.

Fabio Ciardi

1 – “Diplomacia divina”, em Ideal e Luz, São Paulo: Brasiliense/Cidade Nova, 2003, p. 290-291.
2 – A vida, uma viagem, São Paulo: Cidade Nova, 1995. 3 – “Diplomacia Divina”, op.cit.p.291.
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

quinta-feira, 26 de março de 2015

Palavra de Vida de Março 2015

Palavra de Vida de Abril 2015


Fonte: www.focolares.org.pt

Março 2015  

"Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mc 8, 34) 

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Palavra de Vida de Fevereiro de 2015

Palavra de Vida de Fevereiro de 2015

Fonte: focolares.org.pt
Fevereiro 2015
SÁBADO, 31 JANEIRO 2015 22:19
“Acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus” (Rm 15, 7).
Desejando dirigir-se a Roma, para depois prosseguir para Espanha, o apóstolo Paulo envia primeiro uma carta às comunidades cristãs daquela cidade. No seio destas comunidades - onde bem depressa um elevado número de mártires testemunharia uma sincera e profunda adesão ao Evangelho - não faltam, como noutros lugares, tensões, incompreensões, e até rivalidades.
Os cristãos de Roma representam vários estratos sociais, culturais e religiosos. Há pessoas que provêm do judaísmo, do mundo helénico, da antiga religião romana e até do estoicismo e de outras orientações filosóficas. E trazem consigo as suas tradições culturais e convicções éticas. Alguns deles são apelidados “fracos”, por causa dos seus hábitos alimentares especiais (por exemplo, o vegetarianismo), ou ligados a calendários para jejuns em certos dias especiais. Outros são chamados “fortes”, por não se submeterem a todos estes condicionalismos, sejam eles tabus alimentares, ou outros rituais especiais. A todos Paulo dirige este veemente convite: 
“Acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus”. 
Este assunto começa a ser abordado por Paulo já no princípio da carta. Ele dirige-se primeiramente aos “fortes”, convidando-os a “acolher” os “fracos”, “sem discutir as suas opções”. Depois, dirigindo-se aos “fracos”, pede-lhes para aceitarem os “fortes”, sem os julgar, uma vez que todos são “acolhidos” por Deus.
Paulo está realmente convencido de que todos, apesar da diversidade de opiniões e costumes, agem por amor ao Senhor. Portanto, não há qualquer motivo para julgarmos aqueles que têm opiniões diferentes de nós, e muito menos temos o direito de os escandalizar com a nossa atitude arrogante, de superioridade. O que importa mesmo é trabalharmos para o bem de todos, para a “edificação mútua”, isto é, a construção da comunidade e a sua unidade (cf. 14, 1-23).
Trata-se, também neste caso, de aplicar a grande norma do viver cristão que Paulo recordara pouco antes, nesta mesma carta: «É no amor que está o pleno cumprimento da Lei» (13, 10). Por não se comportarem «de acordo com o amor» (14, 15) é que entre os cristãos de Roma tinha diminuído o espírito de fraternidade, que deve animar os membros de todas as comunidades.
O apóstolo propõe, como modelo do acolhimento recíproco, a atitude de Jesus que, na sua morte, em vez de se preocupar consigo próprio, tomou sobre si as nossas fraquezas (cf. 15, 1-3). Do alto da cruz atraiu todos a si, acolhendo simultaneamente o hebreu João e o centurião romano, Maria Madalena e o malfeitor crucificado ao seu lado. 
“Acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus”. 
Também nas nossas comunidades cristãs, mesmo que todos sejamos «amados por Deus e chamados a ser santos» (1, 7), não faltam, como na comunidade romana, discordâncias entre maneiras de ver diferentes e contrastes culturais que parecem inconciliáveis. Muitas vezes, há oposição entre os tradicionalistas e os inovadores – para usar uma linguagem um pouco simplista talvez, mas mais compreensível –, entre pessoas mais abertas e outras mais fechadas, pessoas interessadas num cristianismo mais social ou mais espiritual. Tais diferenças são depois reforçadas pelas convicções políticas e proveniências sociais muito variadas. O atual fenómeno imigratório acrescenta, às nossas assembleias litúrgicas e aos diversos grupos eclesiais, outros componentes de diferenciação cultural e geográfica.
Estas mesmas dinâmicas podem surgir nas relações entre os cristãos das diferentes Igrejas, mas também nas famílias, nos ambientes de trabalho ou nos meios políticos. Insinua-se a tentação de julgarmos aqueles que pensam diferentemente de nós e de nos considerarmos superiores, numa estéril contraposição e exclusão recíprocas.
O modelo proposto por Paulo não é o uniformismo que tudo nivela, mas sim a comunhão enriquecedora entre pessoas diferentes. Não é por acaso que nos dois capítulos precedentes, na mesma carta, o apóstolo fala da unidade do corpo e da diversidade dos membros, assim como da variedade dos carismas que enriquecem e animam a comunidade (cf. 12, 3-13).
Usando uma imagem do Papa Francisco, o modelo não é a esfera, na qual cada ponto é equidistante do centro, sem quaisquer diferenças entre os vários pontos. O modelo é o poliedro, cujas superfícies são diferentes umas das outras, numa composição assimétrica, onde cada componente mantém a sua originalidade. «Até mesmo as pessoas que possam ser criticadas pelos seus erros têm algo a oferecer, que não se deve perder. É a união dos povos que, na ordem universal, conservam a sua própria peculiaridade; é a totalidade das pessoas numa sociedade que procura um bem comum que verdadeiramente incorpore a todos» (1). 
“Acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus”. 
Esta Palavra de Vida é um premente convite a reconhecer o positivo que existe no outro, quanto mais não seja pelo facto de Cristo ter dado a vida por essa pessoa que eu sou tentado a julgar. É um convite à escuta (sem mecanismos defensivos), a permanecer abertos à mudança, a aceitar as diferenças com respeito e amor, para conseguir formar uma comunidade plural, mas unida.
Esta Palavra foi escolhida pela Igreja evangélica na Alemanha, para que os seus membros a vivam e sejam por ela iluminados, durante todo o ano de 2015. O facto de a vivermos conjuntamente com membros de outras Igrejas, ao menos durante este mês, deve ser um sinal de aceitação recíproca.
Poderemos assim dar glória a Deus com uma só alma e uma só voz (15, 6), porque, como Chiara disse na catedral reformada de Saint Pierre, em Genebra: «O tempo presente [...] exige de cada um de nós amor, exige unidade, comunhão, solidariedade. E interpela também as Igrejas a recomporem a unidade quebrada há séculos. É esta a reforma das reformas que o Céu nos pede. É o primeiro e necessário passo em direção à fraternidade universal, com todos os homens e mulheres do mundo. De facto, o mundo acreditará, se nós formos unidos» (2).
Fabio Ciardi
Evangelii Gaudium, 236; 2) Chiara Lubich, Il dialogo è vita, Roma 2007, pp. 43-44.

Para quem não leu, meditou e aplicou em sua vida, leia a Palavra de Vida do mês de Janeiro de 2015
Clique para ampliar e leia




Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Palavra de Vida de Dezembro 2014

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Palavra de Vida de Dezembro 2014

Preparação Para o Advento
Palavra de Vida de Dezembro 2014
Fonte: Encontro Palavra de Vida
Terça-feira, 2 de Dezembro de 2014

Palavra de Vida - dezembro - com desenhos para crianças
Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos.
Palavra de Vida - dezembro - adolescentes
Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês, uma síntese ilustrada do comentário de Chiara Lubich. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.
Palavra de Vida - dezembro
«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo» (Lc 3,11).
Neste período do Advento – o tempo que nos prepara para o Natal – é-nos proposta, de novo, a figura de S. João Baptista. Ele foi enviado por Deus a fim de preparar o caminho para a vinda do Messias. A todos os que iam ter com ele, pedia uma profunda mudança de vida: «Produzi frutos de sincero arrependimento» (Lc 3, 8). E a quem lhe perguntava: «Que devemos, então, fazer?» (Lc 3, 10), respondia:
«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo».
Porquê dar ao outro que é meu? Porque o outro, tendo sido criado por Deus, tal como eu, é meu iraquilo mão, minha irmã. Portanto, é parte de mim. «Não posso ferir-te sem me magoar» (2), dizia Gandhi. Fomos criados para sermos uma dádiva uns para os outros, à imagem de Deus que é Amor. No nosso sangue temos inscrita a lei divina do amor. Jesus, vindo viver entre nós, revelou-no-lo claramente quando nos deu o seu mandamento novo: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (cf. Jo 13, 34). É a “lei do Céu”, a vida da Santíssima Trindade trazida à Terra, é o centro do Evangelho. Tal como no Céu o Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem em plena comunhão, a ponto de serem uma coisa só (cf. Jo 17, 11), também nós, na Terra, seremos nós próprios na medida em que vivermos na reciprocidade do amor. E como o Filho disse ao Pai: «Tudo o que é meu é teu e o que é teu é meu» (Jo 17, 10), também entre nós o amor é completo quando se partilham não só os bens espirituais, mas também os bens materiais.
As necessidades de um nosso próximo são as necessidades de todos. Falta a alguém o trabalho? É a mim que falta. Há quem tem a mãe doente? Ajudo-o como se fosse a minha. Outros têm fome? É como se eu tivesse fome e procuro comida para eles como o faria para mim próprio.
É a experiência dos primeiros cristãos de Jerusalém: «(A multidão) tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum» (Act 4, 32). Comunhão de bens que, embora não obrigatória, era vivida, no entanto, intensamente entre eles. Não se tratava – como explicaria o apóstolo Paulo – de fazer entrar em apuros alguns para aliviar outros, «mas sim de que haja igualdade» (2 Cor 8, 13).
S. Basílio de Cesareia diz: «Ao faminto pertence o pão que tu pões de lado; ao nu, o casaco que guardas no teu baú; aos indigentes, o dinheiro que tens escondido»
(3).
E Santo Agostinho: «O supérfluo dos ricos pertence aos pobres» (4).
«Também os pobres se têm de ajudar uns aos outros: um pode emprestar as suas pernas ao coxo; o outro, os seus olhos ao cego, para o guiar; um outro ainda, pode visitar os doentes» (5).
«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo».
Também hoje podemos viver como os primeiros cristãos. O Evangelho não é uma utopia. São uma demonstração disso, por exemplo, os novos Movimentos eclesiais que o Espírito Santo suscitou na Igreja, para fazer reviver, com frescura, a radicalidade evangélica dos primeiros cristãos e para responder aos grandes desafios da sociedade atual, onde as injustiças e a pobreza são tão fortes.
Recordo o início do Movimento dos Focolares, quando o novo carisma nos infundia no coração um amor muito especial pelos pobres. Quando os encontrávamos na rua, tomávamos nota das suas moradas, para mais tarde os ir visitar e ajudar. Eram Jesus: «Foi a mim que o fizestes» (Mt 25, 40). Depois de os termos visitado nos seus casebres, convidávamo-los para irem almoçar à nossa casa. Para eles, púnhamos a toalha mais bonita, os melhores talheres, a comida de melhor qualidade. À nossa mesa, no primeiro focolar, sentavam-se uma focolarina, um pobre, uma focolarina, um pobre...
A um dado momento, pareceu-nos que o Senhor nos pedia que também nós nos tornássemos pobres, para servirmos os pobres e a todos. Então, num quarto do primeiro focolar, cada uma colocou, ali no meio, aquilo que pensava ter a mais: um casaco, um par de luvas, um chapéu, e até um casaco de cabedal... E, atualmente, para ajudarmos os pobres, temos empresas que dão postos de trabalho e dão os seus lucros para distribuir!
Mas ainda há muito a fazer pelos “pobres”.
«Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo».
Temos tantas riquezas para pôr em comum, mesmo que não nos pareça! Temos sensibilidades a aperfeiçoar, conhecimentos a adquirir para podermos ajudar concretamente, para encontrar o modo de viver a fraternidade. Temos afeto no coração para dar, cordialidade para exprimir, alegria para transmitir. Temos tempo para pôr à disposição, orações, riquezas interiores para pôr em comum pessoalmente ou por escrito. Mas temos também, às vezes, coisas: carteiras, canetas, livros, dinheiro, casas, automóveis para pôr à disposição...
Provavelmente acumulamos muitas coisas, pensando que um dia nos vão ser úteis e, no entanto, ali ao lado, há quem precise delas urgentemente.
Assim como as plantas absorvem do solo apenas a água que lhes é necessária, também nós procuremos ter apenas aquilo de que precisamos. É preferível que, de vez em quando, verifiquemos que nos falta qualquer coisa. É melhor sermos um pouco pobres do que um pouco ricos.
«Se todos se contentassem com o necessário – dizia S. Basílio –, e dessem o supérfluo aos necessitados, já não haveria nem ricos nem pobres» (6).
Experimentemos, comecemos a viver assim. É claro que Jesus não deixará de nos fazer chegar o cêntuplo. Teremos então a possibilidade de continuar a dar. No final, ele vai dizer-nos que tudo o que tivermos dado, seja a quem for, foi a Ele que o demos.
Chiara Lubich
1) Publicada em Città Nuova 2003/22, p. 7; 2) cf. Wilhelm Mühs, Parole del cuore, Milão 1996, p. 82; 3) Aforismi e citazioni cristiane, Piemme, 1994, p. 44;
4) ID, p. 45; 5) ibid.; 6) Aforismi e citazioni cristiane, p. 44.
Palavra de Vida dezembro em PDF
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Palavra de Vida de Outubro 2014

Palavra de Vida de Outubro 2014

 Fonte: encontropalavradevida.blogspot.com
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede» (Jo 6, 35).
 
Neste trecho do Evangelho, São João conta que Jesus, depois de ter multiplicado os pães – durante o grande discurso feito em Cafarnaum –, diz: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará» (Jo 6, 27).
Para os seus ouvintes, é uma referência muito evidente ao maná do deserto, assim como à expectativa do “segundo” maná que irá descer do céu no tempo messiânico.
Como a multidão não compreende bem, pouco depois, no mesmo discurso, Jesus apresenta-se como sendo Ele mesmo o verdadeiro pão descido do céu, que deve ser aceite mediante a fé: 
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede». 
Jesus vê-se já como pão. É exatamente esse o motivo último da sua vida aqui na Terra. Ser pão para ser comido. E ser pão para nos comunicar a sua vida, para nos transformar n’Ele. Até aqui o significado espiritual desta palavra, com as suas referências ao Antigo Testamento, é claro. Mas o discurso torna-se misterioso e difícil quando, mais adiante, Jesus diz de si mesmo: «O pão que Eu hei de dar é a minha carne, pela vida do mundo» (Jo 6, 51b) e «se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (Jo 6, 53).
É o anúncio da Eucaristia, que escandaliza e afasta muitos discípulos. Mas é a maior dádiva que Jesus quer oferecer à humanidade: a sua presença no sacramento da Eucaristia, que sacia a alma e o corpo, que dá a plenitude da alegria, pela íntima união com Jesus.
Uma vez nutridos com este pão, já não há razão para existir qualquer outra fome. Todo o nosso desejo de amor e de verdade é saciado por Aquele que é o próprio Amor, a própria Verdade. 
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede». 
Portanto, este pão nutre-nos de Jesus já nesta Terra. Mas é-nos dado para que, cada um de nós possa, por sua vez, saciar a fome espiritual e material da humanidade que nos circunda.
O mundo recebe o anúncio de Cristo não tanto através da Eucaristia, quanto através da vida dos cristãos nutridos por ela e pela Palavra. Eles, pregando o Evangelho com a vida e com a voz, tornam presente Cristo no meio das pessoas.
A vida da comunidade cristã, graças à Eucaristia, torna-se a vida de Jesus. Uma vida, portanto, capaz de dar o amor e a vida de Deus aos outros. 
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede». 
Com a metáfora do pão, Jesus ensina-nos também a forma mais autêntica, mais “cristã” de amar o nosso próximo.
De facto, o que significa amar?
Amar significa “fazer-se um” com todos, fazer-se um em tudo aquilo que os outros desejam: nas coisas mais pequenas e insignificantes e naquelas a que talvez nós não dêmos importância, mas que interessam aos outros.
E Jesus exemplificou de forma estupenda este modo de amar tornando-se pão para nós. Ele faz-se pão para entrar em todos, para se tornar comestível, para se fazer um com todos, para servir, para amar todos.
Então, façamo-nos um também nós até ao ponto de sermos alimento para os outros.
O amor é isto: fazer-se um de modo que os outros se sintam nutridos com o nosso amor, confortados, aliviados, compreendidos. 
Chiara Lubich
1) Publicada em Città Nuova 2000/14, p. 7. 

Palavra de Vida de Outubro 2014 Para Adolescentes

Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês, uma síntese ilustrada do comentário de Chiara Lubich. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.
Palavra de Vida de Outubro 2014 Para Crianças

Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos.

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha